6.4.05

Coragem, diplomacia e paz

(...) O homem, segundo o grande filósofo grego Aristóteles, cuja obras eu traduzi para a nossa língua, é um animal político. Permiti-me só mais uma digressão: como será maravilhoso o dia em que a mente estreita dos beatos da cúria papal chegar a compreender esta verdade simples e que, de fato, dispensa explicações!
Enquanto o animal político, o homem civilizado procura evitar a guerra. Chamamos esse processo de diplomacia. A propósito, é um erro comum supor que a diplomacia só pode ser praticada entre dois Estados ou reinos civilizados. O que vos contarei sobre Artur demonstrará que esta convicção é uma falácia.
No entanto, a diplomacia falha com freqüência. Primeiro porque muitos homens são estúpidos e incapazes de reconhecer onde estão os seus melhores interesses.
Em quase todos os casos a guerra é evitável, se ambas as partes forem inteligentes e capazes de pensar racionalmente. Mas, é claro, esta conjunção é rara.
Além disso, há outras ocasiões em que à diplomacia falha porque as duas partes em disputa têm opiniões ou interesses inconciliáveis. Para tais casos não há remédio a não ser a força. E por isso pode-se afirmar que toda sociedade tem como alicerce a morte dos homens. (...)
Pág. 154-155

(...) existem dois tipos de coragem, meu príncipe. Existe a coragem que brilha nos momentos de perigo, a coragem que aparece sem refletir, como simples resposta natural à urgência do momento. E embora eu diga “simples resposta natural”, não devereis pensar que eu queira diminuir esse tipo de coragem, pois falta a muitos homens, e o homem que é bravo na hora do perigo deve ser merecidamente admirado.
Mas o outro tipo de coragem é ainda mais raro. É a coragem fria, que permite ao homem encarar a realidade, contemplar a adversidade e não se intimidar. É uma coragem obstinada, criteriosa, que permite ao homem persistir quando tudo à volta desmorona. E essa coragem Artur também possuía. (...)
Pág. 215

(...) Artur aproximou-se do exército saxão que observava, espantado.

Ao ver o Rei, e sabendo que era ele, Artur desmontou, entregou as rédeas do cavalo a Garaint e aproximou-se do rei saxão, uma cabeça mais alto do que ele.
Mas Artur viu que o Rei se mantinha com dificuldades e presumiu que estivesse fraco de fome.

- Eu sou o Rei Artur – disse – Saudações.
Ethelbert olhou-o de cima para abaixo e viu aquele rapaz esguio que lhe sorria como se fosse um amigo ou camarada.
- No momento somos iguais – disse Artur – Eu me coloquei sob vosso poder. Mas o vosso exército está condenado. Sei que ele está fraco devido à fome e a febre, e que não podeis avançar nem bater em retirada.
Fez uma pausa e olhou para o velho legionário, para que este pudesse traduzir o que dissera. Mas para sua surpresa, o próprio Ethelbert respondeu prontamente, falando um latim que, embora gramaticalmente imperfeito, pois amputava as terminações dos casos, era facilmente compreensível.
- O que dizes é verdade, Artur. Estais em meu poder. Eu poderia vos matar com um golpe de minha espada.
- Sim, é verdade – disse Artur, ainda sorrindo.
- E, de fato, meu exército está enfraquecido. Porém quanto mais distante a probabilidade da vitória, maior a bravura com que o meu povo costuma lutar. É bom morrer como guerreiro.
- Mas é melhor viver na amizade. - disse Artur.
- Ethelbert ficou em silêncio. Olhou para trás, para o seu exército. Olhou para as colinas, onde o exército dos romanos permanecia em posição de combate.
- É possível haver amizade entre saxões e romanos? – indagou.
- É sempre possível haver amizade entre homens de coragem – respondeu Artur
.
Deu um passo adiante, colocou as mãos nos ombros de Ethelbert, aproximou-se, e os dois Reis se abraçaram. Por um momento Artur achou que Ethelbert resistia, mas depois relaxou, como alguém que se entrega ao destino. E um grito de júbilo ergue-se de ambos exércitos, ecoando pelas colinas circundantes.
Artur ouviu aquele grito de júbilo e afastou-se de Ethelbert, dizendo:
- Parece que os homens de coragem de ambos os exércitos deram a resposta à vossa pergunta.
Págs. 225 – 226

Trechos extraídos do livro: Rei Artur
Massie, Allan, 1938-
Rei Artur / Allan Massie; tradução de Laura Alves e Aurélio B. Rebello. – Rio de janeiro: Ediouro, 2004.
Tradução de: Arthur, The King.

23.3.05

Saber que não sabe já é saber

Se você não sabe que sabe, você pensa que não sabe. Por outro lado, se você pensa que sabe e não sabe, você age como se não soubesse. Isso causa conseqüências drásticas.

Todos somos ignorantes. Só que em assuntos diferentes. É impossível ao ser humano saber tudo. Mas reconhecer-se ignorante em alguma coisa já é um conhecimento, pois é abrir a porta para o aprendizado.

Nossa maior ignorância é não saber que não sabemos. Arrogância é cegueira cognitiva. É nos tornarmos cegos ao conhecimento.

Tudo o que aprendemos na vida passa por quatro fases, e a ignorância é a primeira fase da aprendizagem. Na fase da ignorância, nós não sabemos o quanto sabemos. Quando passamos a saber que não sabemos, é porque já estamos aprendendo e entrando na segunda fase.

A segunda fase é estarmos a par de alguma coisa, ou seja, é quando sabemos o quanto não sabemos.

A terceira fase é a do conhecimento. É quando nós sabemos o quanto sabemos. De que modo começa o conhecimento? É com a confusão. Ao passarmos da segunda fase (estar a par) para a terceira (conhecimento), temos que atravessar o território da confusão. Muitos estudantes, quando chegam neste ponto, largam o livro e não aprendem porque não suportam atravessar a confusão que é parte do aprendizado. Se os professores nas escolas soubessem disso e entendessem a importância dessa etapa do conhecimento, o aprendizado dos alunos seria muito melhor. Mas não. As pessoas têm medo da confusão (“Meu Deus, não estou entendendo nada. Não consigo. Isso é difícil demais para minha cabeça!), porque não querem sair da zona de conforto.

Se você está um pouco confuso lendo este texto, é bom sinal. Significa que você está prestes a incorporar novos conhecimentos.

Se nossos olhos virem uma coisa inteiramente nova, que nunca viram antes, a primeira percepção perecerá confusa (“O Que é isso?”). Mas nosso celebro tem capacidade para processar aquelas informações, desde que estejamos abertos para isso, e logo o que era confuso torna-se familiar, o que era incompreensível torna-se óbvio. Como já vimos, a arrogância (orgulho, soberba,...) é cegueira cognitiva. Fazer pose “sabe-tudo” é fechar os canais ao conhecimento. Para chegar ao conhecimento é preciso estar aberto para o novo e ter vontade de aprender: Sem medo (pelo contrário!), penetrar no desconhecido. Somente assim é possível superar as dificuldades e atravessar a confusão.

Na plenitude do conhecimento (que não significa saber tudo, e sim saber bem), chega-se à quarta fase da aprendizagem: a sabedoria. Nosso celebro já assimilou de tal forma aquele conhecimento, que nem precisamos mais ficar prestando atenção. Aquilo já está em nós, já faz parte da nossa estrutura mental. Nessa fase, a pessoa já nem sabe mais o quanto (ou como) sabe.

Lair Ribeiro
Trecho do Livro Comunicação Global, a Mágica da Influência

18.3.05

De tudo, um pouco...


Que você tenha... de tudo... um pouco.

Sensibilidade
Para não ficar indiferente diante das belezas da vida.

Coragem
Para colocar a timidez de lado e poder realizar o que tem vontade.

Solidariedade
Para não ficar neutro diante do sofrimento da humanidade.

Bondade
Para não desviar os olhos de quem te pede uma ajuda.

Tranqüilidade
Para quando chegar ao fim do dia, poder deitar e dormir o sono dos anjos.

Alegria
Para você distribuí-la, colocando um sorriso no rosto de alguém.

Humildade
Para você reconhecer aquilo que você não é.

Amor próprio
Para você perceber suas qualidades e gostar do que vê por dentro.

Fé
Para te guiar, te sustentar e te manter de pé.

Sinceridade
Para você ser verdadeiro, gostar de você mesmo e viver melhor.

Felicidade
Para você descobri-la dentro de você e doá-la a quem precisar.

Amizade
Para você descobrir que, quem tem um amigo, tem um tesouro.

Esperança
Para fazer você acreditar na vida e se sentir uma eterna criança.

Sabedoria
Para entender que só o Bem existe, o resto é ilusão.

Desejos
Para alimentar o seu corpo, dando prazer ao seu espírito.

Sonhos
Para poder, todos os dias, alimentar a sua alma.

Amor
Para você ter alguém para amar e sentir-se amado.
Para você desejar tocar uma estrela, sorrir pra lua.
Sentir que a vida é bela, andando pela rua.
Para você descobrir que existe um sol dentro de você.
Para você se sentir feliz a cada amanhecer
e saber que o Amor é a razão maior... para viver.
Mas se você não tiver um amor,
que nunca deixe morrer em você,
a procura... o desejo de o encontrar.
Tenha de tudo, um pouco... e Seja feliz!

Lisiê Silva

8.3.05

Mulher


Mulheres

Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.

Pablo Neruda
DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES

"Superando as desigualdades, lutando por um Brasil Cidadão!
Nós mulheres brasileiras, guerreiras da luta cotidiana, construtoras de nossa história, rompendo as cadeias da dominação e o peso secular da opressão social, política, econômica, cultural e familiar conquistamos novos espaços. Ampliamos nossa participação no mercado de trabalho, nos espaços de poder e nos movimentos sociais, sindicais e populares e mudamos nosso papel na família.

Neste momento de globalização, neoliberalismo e precarização do trabalho, somos protagonistas de mudanças, de um novo ciclo histórico — apostamos na esperança e no compromisso social para a construção de um Brasil mais justo e igualitário. Já somos 43,9% no mercado de trabalho. É o resultado da queda da fecundidade, da expansão da escolaridade, do aumento do número de famílias chefiadas por nós, da mudança em nosso papel social, cada vez mais voltado para o trabalho fora de casa. No entanto, ainda trabalhamos entre 22 a 90 horas semanais considerando a dupla jornada de trabalho!

Persistem as discriminações no campo do trabalho, as desigualdades salariais e a dupla jornada, somos discriminadas na vida social, nas relações de gênero e nas relações étnico-raciais. Ainda exercemos predominantemente as atividades do setor serviço; representamos 80% entre professores, nos serviços de saúde, entre as comerciarias, cabeleireiras, manicuras, funcionárias públicas, e predominamos no serviço doméstico remunerado, primeira ocupação das mulheres brasileiras. São negras cerca de 56% das domésticas e recebem rendimentos mais baixos. Em geral nós mulheres trabalhadoras temos remuneração mais baixa, 40% menos que os homens, elevada jornada de trabalho, pouca qualificação e baixa proteção social.

Continuamos sendo vítimas da violência de gênero e racial que se expressam de várias formas, constituindo um problema social e de saúde pública. A cada 4 minutos ocorre no Brasil um caso de agressão física contra a mulher e, no mundo, de 15 a 30% das mulheres, pesquisadas pela OIT, foram assediadas sexualmente e, uma a cada doze delas, teve que abandonar o trabalho!

Ainda é difícil o acesso aos serviços de saúde e não alcançamos o atendimento adequado e integral, em especial em relação às doenças preveníveis como o câncer de colo e de mama, o HIV, a maternidade, em particular a não planejada, e ao aborto que leva à morte milhares de mulheres a cada ano. Somos 62% das internações hospitalares e 2/3 dos usuários de medicamentos controlados!

Nossa imagem social que é representada e divulgada nos meios de comunicação, nos livros didáticos e nas relações sociais cotidianas, desvaloriza e dificulta a construção de nossa identidade como ser humano sujeito de nossa cidadania e de nossa história.

Em especial, neste 8 de março, nós mulheres,

Reafirmamos o nosso apoio político a um Projeto Nacional comprometido com a emancipação da mulher, neste novo momento da história brasileira.

Reafirmamos nossa luta pela igualdade de oportunidades e por condições de trabalho; pelo fim da violência de gênero e racial e todas as suas expressões em nossa sociedade, como o assédio moral e sexual; por uma saúde integral e qualificada que considere as singularidades de gênero, de raça, de geração e de classe; por uma imagem social no campo da educação e nos meios de comunicação que reflita a mulher cidadã e trabalhadora.

Defendemos a melhoria e ampliação de Políticas Públicas de Gênero:

- que garantam maior qualidade de vida para nós mulheres, principalmente as trabalhadoras e de setores populares, respeitando as especificidades e, contribuindo assim, para reduzir as desigualdades que enfrentamos em nosso viver cotidiano;
- que combatam a dupla jornada de trabalho e favoreçam o pleno emprego da mulher e melhore as condições de trabalho e salário;
- que garantam mecanismos para uma maior participação da mulher no âmbito do poder político;
- que combatam todas as formas de violência contra a mulher e amplie as Delegacias de Atendimento Especializado e os Centros de Referência para atendimento às mulheres vítimas de violência;
- que garantam às parturientes, acompanhante nas maternidades e que as mesmas sejam estruturadas para tal, tanto em espaço físico como na formação dos profissionais de saúde;
- que ampliem os preceitos legais para a realização do aborto, respeitando o direito de decidir das mulheres.

Enfim, Políticas Publicas de Gênero como "direito de todas e dever do Estado" para garantir a qualidade de vida, os direitos e liberdades para cumprirmos o nosso histórico papel na busca da verdadeira emancipação.
Viver nossas diferenças com direitos iguais!!
Viva o Dia Internacional da Mulher!!
União Brasileira de Mulheres - UBM

2.3.05

Pra rir ou pra pensar...?


Meses atrás, navegando pelo site do Mário Prata, deparei-me com este sério e “hilário” texto, da Arquiteta Lúcia Carvalho, na época achei engraçada a forma que ela se refere ao tema – Banheiros.

Porém hoje, relendo o texto, cheguei a conclusão que o mesmo pode ser usado como mais um exemplo da troca de valores do mundo moderno e capitalista em que estamos “sobrevivendo”. Onde o real e necessário conforto é trocado pelo glamour exemplificado nas revistas, tele-novelas e até mesmo na net.

Aff! Qualquer dia destes serei taxada de Socialista, Comunista, Anarquista ou algo do tipo...
O Sr. Wilson Moreira, meu visinho, diria assim:
- Ahhh! Minha filha..., de que planeta você veio heim!? Será que não entra na sua cabecinha, que são o dinheiro e a luxúria é que movem o mundo?

Pergunto-me: Estas pessoas são felizes ou esta busca do glamour é só uma máscara para a realidade que elas não conseguem viver e encarar?

Mas vamos ao texto de Mário e Lúcia...

O Banheiro da Arquiteta Lúcia

Há duas semanas, escrevi aqui sobre banheiros e arquitetas. Pois uma arquiteta, chamada Lúcia Carvalho, me mandou o texto abaixo. Na minha crônica eu dizia que gostaria de ser arquiteto, se não fosse escritor. Pois a Lúcia só não será escritora se não quiser. (Mario Prata)

(...)Eu li tua matéria sobre banheiros. Este assunto me intriga, também sou arquiteta e fiquei pensando um pouco mais sobre isso e resolvi te contar mais umas coisas sobre este lugar completamente clandestino e indiscutível.

Pensa bem. Existe um grande respeito das pessoas por duas situações. Uma delas é o banheiro. É assim. Cadê o fulano? Tá no banheiro. Pronto. Ninguém fala mais nada, ninguém bate na porta, ninguém atrapalha. Claro que, se o tal fulano demora, as pessoas riem um pouco, mas um homem no banheiro é digno de respeito total. É a mesma coisa quando alguém vai para a Europa.

Ninguém discute, sempre te cobram, te acham em qualquer canto aqui neste país, te solicitam o dia inteirinho com trabalhos para ontem, sempre, mas quando você fala que não pode porque vai para fora do país, todo mundo aceita, resignado, sensato, e você fica importante. Estar na Europa e estar no banheiro, quase a mesma coisa.

Mas o assunto, o assunto são os banheiros que hoje em dia na nossa profissão são talvez a parte mais importante. Horas e horas de reunião com o cliente discutindo cada detalhezinho deste lugar. Posso estar exagerando, mas cada vez mais tem acontecido assim. Não sei o que houve com as pessoas, sinceramente. Quando eu era menina, a gente tinha só um banheiro em casa, fora o da empregada. Quase todas as casas eram assim, o banheiro da família, o banheiro da empregada. A gente, às vezes, até usava o banheiro da empregada quando precisava. Depois inventaram que cada casa, apartamento, por mais "ovo" que fosse, tinha que ter um lavabo. Como se as pessoas que vão te visitar não pudessem ver o teu banheiro, como se fosse proibido, tivesse segredos por lá.

Hoje em dia, quando uma casa não tem lavabo, eu fico até envergonhada. É tão raro entrar no banheiro dos outros que inconscientemente eu acho aquilo meio enigmático, misterioso, fico verificando os produtos de beleza, os shampoos, os armários, a marca da toalha. Acho que para ver se é igual, pior ou melhor que as nossas, que também ninguém deve ver. Não tem por quê, mas a gente acaba olhando mesmo. Quando eu me formei, é, foi mais ou menos nesta época, que começou a aumentar. O negócio de "quarto suíte". Quarto com banheiro, individual, cada um tem de ter o seu, nem que seja um bebezinho. Todo mundo queria o seu banheiro próprio, ninguém ia saber do seu cheiro, da sua bagunça, ninguém vai usar sua pasta, nada. Era só seu e inventaram que aquilo era o máximo. A maioria das casas de hoje em dia tem mais privada do que gente morando, pode reparar.

Mas tinha um problema ainda naquela época. O casal. O casal tinha de dividir o banheiro, e geralmente "o casal" significa os "donos da casa", e os donos da casa, bem eles, os mais importantes, eles tinham de dividir o banheiro.

Pimba! Tiveram uma idéia. O banheiro do casal ia ser maiorzão, bem grande mesmo, com duas pias, uma para cada um. Foi assim por muito tempo, era um grande luxo ter duas pias, uma do ladinho da outra. Mas não estava bom, tem casal que não é tão desencanado que um escova o dente e o outro usa a privada, assim junto. Resolveram (acho que na verdade quem resolve e dá as idéias são mesmo os arquitetos, nós, infelizmente) que era melhor então separar as duas pias das privadas e bidês e chuveiros, começaram a parecer umas cabininhas com o vaso, bidê (esse então dá o maior assunto em reunião...) e chuveiro longe das pias. Mas um dia acharam que era melhor cada um ter o próprio banheiro, separado.

Olha os prédios de luxo de hoje como são. Tem o banheiro da mulher, esse geralmente tem banheira, tem cara de mulher, mármore rosa, muito espelho, essas coisas, e do marido, austero, clássico, menorzinho, mas separado. Na verdade, acho que a gente quando vai projetar para uma família a gente quase que só faz banheiro. É uma quantidade sem fim, imensa, estúpida. Se procriaram. Agora até deixam de ser banheiros, são "salas de banho". Pois é.

Nas reformas então, nem se fala, a maioria só quer mexer nos banheiros. Toda vez é assim: a gente vai na reunião com o casal, moderninho, filhos, o cara já vai falando: olha, nós queremos reformar o apartamento/casa, a reforma é a seguinte: queremos fazer um outro banheiro para nós (a mulher já vem nesta hora com um monte de revista recortada), queremos fazer outro banheiro para as meninas (mais revista), queremos um banheiro para a babá, mas precisamos muito mesmo de um para o motorista e um para o guarda na guarita nova, e, claro, queremos reformar o lavabo (mais revista e o cara já fica bravo com a mulher) e reformar os outros, antigos. Só banheiro? E o resto da casa, eu pergunto? Só banheiro, o resto da casa tá ótimo, ele fala. Quando eles acabam de falar, já tem de comprar pelo menos umas setes privadas, cinco bidês, um monte de cubas, cada uma de um jeito, e chuveiros, e aquele monte de revista me olhando.

Somos agora arquitetos higiênicos, é um grande símbolo de status ter privadas em excesso, vai entender... O assunto dentro do mundo dos arquitetos vai crescendo, é uma maluquice, não acaba nunca, as casas daqui a pouco serão uns banheirões com umas salinhas adjacentes. E num outro dia dei até entrevista para uma dessas revistas, só pedi para não tirar foto, credo.

Mas o pior, o pior é que as pessoas nunca experimentam antes, entende?
Ninguém compra privada e bidê sentando neles, eu não entendo por quê.

Deveria sentar, claro, verificar se é cômoda, se é alta, baixa, fina, se o posicionamento das pernas (isso no caso dos homens, em pé) é bom, essas coisas. Mas ninguém faz, também, pensa bem, fazem uma lojas lindas de banheiro, todas chiques, brilhantes, parecem o palácio das mijadas (palavrinha mais feia, perdões), colocam (literalmente) os vasos sanitários como tronos, quem tem coragem de posar de rei na frente da vendedora-simpática-de-preto?(...)
Lúcia Carvalho
Arquiteta

16.1.05

Fronteiras do bem e do mal


Bem..., cá estou eu mais uma vez as voltas com o Biel na NET.
Para quem ainda não conhece, o Biel é um cidadãozinho brasileiro, que exatamente dentro de 11 dias ele estará completando cinco aninhos, apesar de ser bem esmirradinho e aparentar três. Este cidadãozinho é meu filho caçula.

Os que conhecem o Biel sabem que o mesmo é hiper - tudo: Hiperativo, hiper-carinhoso, hiper-levado, hiper-bruto, hiper-inteligente, hiper-safo, ... Pra resumir ele é hiper qualquer coisa que vocês possam imaginar em relação a uma criança completamente saudável. Ai ai ai a Bel e Sra. Neli que o digam hehehe

Mas corujices maternas a parte, vamos ao que interessa:
Como citei a pouco o Biel é muito carinhoso e criou um hábito próprio de me oferecer “flores”, sendo que as mesmas podem ser: uma flor colhida do jardim de um vizinho, como uma simples folha de árvore ou mesmo um matinho colhido da alguma calçada, o que importa para o Biel e demonstrar o carinho que tem por mim. Porém Eu não acho certo que ele retire as plantinhas do seu habitat natural, mesmo que seu intuito seja dos melhores e tomei a seguinte posição:

Disse a ele que toda vez que ele quiser dizer que me ama, que ele me dê um beijo e um forte abraço, pois não era certo colher as plantinhas ou flores, pois elas acabariam morrendo e não era isso que nós queríamos.

Pois bem, ele concordou e passou a me dar “trilhões” de beijos por dia, às vezes pede que eu feche os olhos e que me abaixe e me lasca um SMACK! Daqueles. Penso eu hoje, que o lance das plantinhas está resolvido.

Porém da mesma forma que ele é carinhoso ele é muito bruto, principalmente com os animais que ele tanto gosta, às vezes comparamos o Biel com a personagem Felícia dos desenhos animados, pois ele age igualzinho a ela. Por exemplo: para dar um abraço em uma de nossas cadelas ele acaba por enforcá-la antes de lascar um beijo na ponta do focinho da pobre coitada, que depois acaba por sair cambaleante. E devido ao fato de saber que esse carinho-bruto pode vir a nos trazer complicações com animais de terceiros, tenho orientado ao Biel, dizendo que os animaizinhos sentem dor, choram, igual a ele e coisas do tipo. Tenho dito também, que devemos ter muito carinho com os animais e que não devemos maltratá-los sob hipótese alguma e que também não devemos igualmente as plantinhas, retirá-los de seu habitat natural, pois os mesmo morreriam e como com as plantinhas não era isso que nós queríamos.

Com as plantinhas deu certo de estalo, já com os amiguinhos animais está sendo um pouco mais complicado, mas ele está caminhando ....

Voltemos ao Biel:
Hoje eu preparando o almoço de domingo, o Biel parou no meio da cozinha e ficou a me observar por alguns segundos e começou com a sabatina:
- Mãe...! Batata é plantinha?
- Sim Biel, batata é plantinha.
- Cebola é plantinha?
- Sim, cebola também é plantinha.
Silêncio por alguns segundos e ele me observa temperar o peixe que seria nosso almoço.
- Mãe...! Esse peixe é igual ao que tem lá na praia?
- É sim...
- E quem trouxe ele de lá? Diz ele indignado com os bracinhos cruzados à altura do peito.
- Papai comprou no mercado.
- Ahhh... E quem levou o peixinho para o mercado?
- O moço que pescou o peixe. Respondi já começando a achar que algo vinha por trás da sabatina.
- E quando o moço pesca o peixinho lá na praia ele mata o peixinho?
- Sim Biel, quando retiramos o peixinho da água da praia ele morre.
- Mãe, mas batata é plantinha né?
- Sim eu já disse que é.
- Mãe..., porque o moço mata o peixinho?
Comecei a ficar preocupada, com a insistência no assunto e respondi.
- Ele não mata o peixinho, o peixinho morre porque é retirado da água. E o moço só pesca por que nós precisamos comer para ficarmos fortinhos.
Após essa minha resposta o Biel me olhou de forma inquiridora apertando os olhinhos e muito desconfiado saiu da cozinha sem dizer mais nada.

Pois bem, depois disso comecei a refletir aonde ele queria chegar. Acho que sei.... e estou me perguntando desde aquele instante:

Como fazer uma criança aos seus quase cinco anos entender o limite entre o bem e o mal, se eles estão bem próximos e não existe uma fronteira visível?


Pensar.... Pensar....

14.1.05

Quando me amei de verdade...


Quando me amei de verdade,
Pude compreender que em qualquer circunstância,
Eu estava no lugar certo, na hora certa.
Então pude relaxar.

Quando me amei de verdade,
Pude perceber que o sofrimento emocional
É um sinal de que estou indo contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade,
Parei de desejar que a minha vida fosse diferente
E comecei a ver que tudo o que acontece contribui
Para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade,
Comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa
Ou alguém que ainda não está preparado
Inclusive eu mesma.

Quando me amei de verdade,
Comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças
E qualquer coisa que me pusesse baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade,
Deixei de temer meu tempo livre
E desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!

Quando me amei de verdade,
Desisti de querer ter sempre razão
E com isso errei muito menos vezes.

Quando me amei de verdade,
Desisti de ficar revivendo o passado
E de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
Que é onde a vida acontece.

Quando me amei de verdade,
Percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração,
Ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Trechos do livro: "Quando Me Amei De Verdade "
Kim McMillen & Alison McMillen

11.1.05

Tempo Eterno


Quando seu tempo não passar mais
Quando seu caminho estiver cercado pela escuridão
Saberá que é possível correr até o cais
E navegar através do horizonte sem pisar no chão

Se o seu rosto não apresenta mais felicidade
E os pés já sentem o cansaço da idade
Receberá a paz em um mundo diferente
No qual você sonha estar sempre contente

Você que nunca desistia
Esquece de tentar
Pois agora tem apenas medo de falhar

Seu futuro chega até você em desespero
Entrega de volta seu tempo infinito
Para vivenciar a eternidade que acabou.

Altieres Rohr

10.1.05

Quem morre?


Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito,
Repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
Quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
Quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente
Quem evita uma paixão,
Quem prefere o negro sobre o branco
E os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
Sorrisos dos bocejos,
Corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente,
Quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
Ou da chuva incessante.

Morre lentamente,
Quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
Não pergunta sobre um assunto que desconhece
Ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
Que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
Um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

3.1.05

A "Excluída"


Hoje cedo recebi este texto por e-mail e mais uma vez parei para pensar se vale mesmo a pena pagar meus impostos em dia.

Eh!...vamos lá...


Apesar de ser uma cidadã brasileira tenho consciência de que a Constituição deste país não me abrange, posto que só tenha obrigações, tais como: pagar impostos, tributos, e ser qualificada "classe média alta". Quanto aos direitos, esses são privilégios dos excluídos.
Este país não me deu educação, saúde, segurança - princípios fundamentais consagrados na "Carta Magna".
Educação? Se estudei, foi às custas do trabalho de meus pais que, embora de origem humilde, tiveram o bom senso de limitar o número de filhos ao poder aquisitivo correspondente ao orçamento familiar.
Saúde pública é coisa que conheço apenas de televisão e jornal - sempre que necessitei, socorri-me dos planos particulares, também custeados pelo trabalho de meus pais e, posteriormente, pelo meu próprio.
SEGURANÇA? Isso é utopia. Direitos humanos só para aqueles que, anteriormente à era "politicamente correta" eram qualificados como marginais.
Nós, os pobres mortais, não temos direitos humanos e sim, o dever de permanecer TRANCAFIADOS em edifícios, pagando módicas taxas de condomínio que incluem portões, câmaras internas e demais sistemas de proteção que nos são impingidos a título de ilusória sensação de segurança.
Tudo o que as autoridades legitimamente constituídas, às quais é constitucionalmente outorgado o chamado "poder de polícia" fazem por nós é divulgar o procedimento adequado a ser adotado em situações adversas: NÃO REAGIR quando os "EXCLUÍDOS" nos agridem para apropriar-se de nossas vidas e pertences.
Já não tenho mais parâmetro para posicionar-me.
Problema social?
Como explicar o óbvio diariamente constatado: mulheres universitárias, presumivelmente "informadas", gerando vários filhos de pais desconhecidos; mulheres "carentes" que moram em um cubículos e a cada nove meses, dão à luz mais um filho para passar fome e ser custeado pelos impostos dos que, de alguma forma, produzem e geram algum tipo de renda.
Renda... Como se salário fosse renda. Paga-se imposto e até hoje não se sabe exatamente o que é esse "ser alienígena" intitulado "GASTO PÚBLICO".
Índio é inimputável, por disposição legal - "silvícola" - mas tem helicóptero, telefone (via satélite), caminhonete importada... Tudo isso à custa de "ARRENDAMENTO" (para exploração de pedras preciosas) em reserva indígena.
E mais, arrendamento devidamente formalizado, objeto de instrumento contratual firmado por pajé - pajé é o representante legal da tribo?
Índio não é relativamente incapaz?
"SEM TERRA", é profissão de profissionais agenciados por sindicatos organizados, tem direito a descumprir a legislação em vigor, sob a argumentação de estarem amparados por "motivo socialmente justificável" que, inclusive, os autoriza a alienar o imóvel objeto do assentamento e, por incrível que pareça: promover queimadas, destruição de vegetação etc.etc.
Para eles, não há CRIME AMBIENTAL.
Quanto a mim, se deixar de pagar IPTU, Taxa do Lixo, o imposto de transmissão e afins, o apartamento onde moro com meu filho vai a leilão. Se cortar uma árvore serei condenada como criminosa... Risos... PODE?
Fico então me indagando: afinal, quais são os MEUS direitos?
Porque, enquanto cidadã brasileira, só tem obrigações - trabalho mais de 14 horas por dia, vou do trabalho para casa e vice-versa, contando com DEUS para chegar com vida de onde saí (pior que isso estão os ateus que nem com DEUS podem contar).
Meu direito é pagar, custear quem põe filho no mundo sem qualquer responsabilidade por sua criação e educação, é TENTAR sobreviver em uma sociedade onde o mais básico de meus direitos - o direito à vida, é totalmente ignorado... Isso é justo?
Meu direito é custear estrupadores, assassinos, estelionatários, seqüestradores, traficantes que destroem famílias, aterrorizam a nossa sociedade e aniquilam quaisquer valores até então preservados (quando as palavras como honestidade e ética estavam embuídas de significado e valor a ser respeitado e preservado).
Os que custeio, lotam os presídios e ainda rebelam-se por condições de vida melhor... Só pode mesmo ser uma piada. Seria hilário se não fosse a realidade!
Meu direito é aplaudir o PT em sua grande obra de jardinagem: a estrela vermelha em prédio público.
É assistir o PT, POR AMOR AO PODER, unir-se ao PMDB dos Srs. Quércia e afins, e ao PFL, do Sr. ACM e do Sr. Sarney (aquele, cuja filha guarda em uma gaveta um milhão e meio de reais para as despesas do fim de semana).
Meu lazer? Ora, há a REDE GLOBO DE TELEVISÃO, a "Vênus Platinada" orgulho nacional que vem prestigiando a Sra. Solange, participante do BBBrasil 4, - exemplo de cultura que estimula o povo brasileiro a permanecer analfabeto - caminho para o sucesso e o reconhecimento... É... A louca sou EU!

Por essas e outras, tenho que INFORMAR: A EXCLUÍDA SOU EU!


Juçara Mazza Zaramella
Advogada
OAB/SP n.º 39.110

29.12.04

We are the world

Esta música tornou-se um marco em minha vida. Quando foi divulgada ao mundo, eu era uma adolescente "em final de carreira" e do tipo “filinha de papai” que só enxergava a ponta do meu nariz e era verdadeiramente alienada aos problemas sociais e condição que muitos (sobre)viviam.

Mas me choquei ao assistir o vídeo clipe e aos documentários na TV, não só mostrando a fome e a miséria lá fora, como a do nosso País. Caí na real e passei a fazer a minha parte, mesmo que pouquinho, mesmo que criticada, mas faço o que posso e como posso.

Eu deveria ter postado esta música na noite de Natal em resposta aos radicais pessimistas que dizem ter o “pé no chão”, aos que não param pra pensar um pouco no próximo e aos que acham que desejar o bem de terceiros não lhes acalenta, que não lhes dá força pra lutar contra a condição em que (sobre)vivem e que desejar é pura hipocrisia e/ou demagogia.

Mas uma coisa eles estão certos, não basta só desejar. Pois desejar não satisfaz a fome biológica e não aquece quem tem frio. Mas desejar é o primeiro passo para se realizar um sonho.

Eu desejo ...
NÓS SOMOS O MUNDO
Chega um momento, quando ouvimos uma certa chamada
Quando o mundo tem que vir junto como um só
Há pessoas morrendo
E está na hora de dar uma mão a vida
O maior presente de todos
Nós não podemos continuar fingindo todos os dias
Que alguém, em algum lugar irá mudar
Todos nós somos parte da grande família de Deus
E a verdade
Você sabe que o amor é tudo que nós precisamos

Nós somos o mundo, nós somos as crianças
Nós que fazemos um dia mais brilhante
Assim comecemos nos dedicando
Há uma escolha que nós estamos fazendo
Nós estamos salvando nossas próprias vidas
É verdade que nós faremos um dia melhor, só você e eu

Lhes envie seu coração assim eles saberão que alguém se preocupa
E as vidas deles serão mais fortes e independentes
Como Deus nos mostrou transformando pedras em pão
E por isso todos nós temos que dar uma mão amiga
Quando você está acabado, e não aparece nenhuma esperança
Mas se você acredita que não há nenhum modo que nós faça cair
Nos deixa perceber que uma mudança só pode vir
Quando nós nos levantamos junto como um só

Nós somos o mundo, nós somos as crianças
Nós que fazemos um dia mais brilhante
Assim comecemos nos dedicando
Há uma escolha que nós estamos fazendo
Nós estamos salvando nossas próprias vidas
É verdade que nós faremos um dia melhor'
Só você e eu.
Nós Somos o Mundo (Tradução do original "We are the World")
Música e letra de Michael Jackson & Lionel Ritchie
Usa For Africa

10.12.04

Agradecimento



Na incerteza da vida vivida, vem a dúvida me assombrar.
Será que vivo esta vida como ela quer ser vivida ou mudo esse leito de rio.
Quantas vezes me sinto perdido, sem rumo nem direção.
Olho para o céu, olho para o chão e percebo a minha presença.
Sem compreender o que faço aqui, para que estou ou mesmo quem sou.
Nas perguntas que me faço apenas uma certeza ficou.
Enquanto me pego pensando nas certezas e incertezas, no certo e errado,
No bom e no mau , deixo de viver os momentos da minha vida.

Percebo então a importância que se deve dar ao momento presente.
Pois como o nome mesmo diz é assim que devemos sentir.
Aceitar de coração, e viver intensamente.
Agradecendo a Deus por nos dar esse presente.
Receber com alegria essa oportunidade de ser e estar.
Aprender, mostrar, e sempre amar...
Que alegria percebo fluir do centro do meu ser ao constatar que a consciência aflora.

Sem me importar com a demora, apenas valorizar o agora.
Então me coloco á disposição dessa pessoa que sou.
Dando o merecido valor para a vida que me passa e me foi ofertada.
Com amor no coração posso perceber a grandeza e a beleza desse grande Universo.
Aonde o Senhor com sua magnânima presença vem nos ofertar.
Com a vida, o amor, crescimento e evolução.
Obrigado SENHOR!

Psicografado por Rubia Galante

9.12.04

A arte da espada



Há muitos séculos, na época dos samurais, foi escrito no Japão um texto sobre a arte espiritual de manejar a espada: "A compreensão impassível" - também conhecido como O Tratado de Tahlan, nome de seu autor (que era ao mesmo tempo um mestre de esgrima e um monge zen). Adaptei a seguir alguns trechos:

Mantendo a calma
Quem compreende o sentido da vida sabe que nada tem início e nada tem fim, e portanto não fica angustiado. Luta pelo que acredita sem tentar provar nada a ninguém, guardando a calma silenciosa de quem teve a coragem de escolher seu destino.
Isso vale para o amor e para a guerra.

Deixando o coração estar presente
Quem confia no seu poder de sedução, na capacidade de dizer as coisas na hora certa, no uso correto do corpo, fica surdo para " a voz do coração". Esta só pode ser escutada quando estamos em perfeita sintonia com o mundo a nossa volta, e jamais quando nos julgamos o centro do universo.
Isso vale para o amor e para a guerra.

Aprendendo a ser o outro
Estamos tão centrados naquilo que julgamos ser a melhor atitude, que esquecemos algo muito importante: para atingir nossos objetivos, precisamos de outras pessoas. Portanto, é necessário não apenas observar o mundo, mas imaginar-se na pele dos outros, e saber como acompanhar seus pensamentos.
Isso vale para o amor e para a guerra.

Encontrando o mestre correto
Nosso caminho irá cruzar sempre com muita gente que, por amor ou por soberba, quer nos ensinar algo. Como distinguir o amigo do manipulador? A resposta é simples: o verdadeiro mestre não é aquele que ensina um caminho ideal, mas o que mostra ao seu aluno as muitas vias de acesso até a estrada que ele precisará percorrer para encontrar-se com seu destino. A partir do momento em que encontra esta estrada, o mestre não pode mais ajudá-lo, porque seus desafios são únicos.
Isso não vale nem para o amor, nem para a guerra - mas sem compreender este item, não chegaremos a lugar nenhum.

Escapando das ameaças
Pensamos muitas vezes que a atitude ideal é dar a vida por um sonho: nada mais errado que isso. Para atingir um sonho, precisamos conservar nossa vida, e portanto é obrigatório saber como evitar aquilo que nos ameaça. Quanto mais premeditarmos nossos passos, mais chances temos de errar - porque não estamos levando em consideração os outros, os ensinamentos da vida, a paixão, e a calma. Quanto mais acharmos que temos o controle, mais estaremos distantes de controlar qualquer coisa. Uma ameaça não dá avisos, e uma reação rápida não pode ser programada como um passeio durante a tarde de domingo.
Portanto, se você quiser entrar em harmonia com o seu amor ou com o seu combate, aprenda a reagir rápido. Através da observação educada, não deixe que a sua suposta experiência de vida o transforme em uma máquina: use esta experiência para escutar sempre a "voz do coração". Mesmo que não esteja de acordo com o que esta voz está dizendo, respeite-a e siga seus conselhos: ela sabe o melhor momento de agir, e o momento de evitar a ação.
Isso também vale para o amor e para a guerra.

Paulo Coelho
Comentários e adaptação
www.warriorofthelight.com

7.12.04

Lembre-se...


Se você se aborrece porque não dorme bem,
Lembre-se da família sem teto e sem uma cama para repousar.

Se você se desespera ao ficar preso no trânsito,
Lembre-se daqueles que sonham ter um carro para dirigir.

Se você tem dias amargos em seu trabalho,
Lembre-se dos desempregados que gostariam de estar no seu lugar.

Se você sofre com o fim de um relacionamento amoroso,
Lembre-se de quem nunca soube o que é amar e ser amado.

Se você é atingido pelo tédio aos sábados e domingos,
Lembre-se daqueles que em muitas partes do mundo trabalham 12 horas por dia, 7 dias por semana, para alimentar a família.

Se você pragueja quando seu carro quebra a quilômetros de distância da assistência mais próxima,
Lembre-se do paraplégico que adoraria fazer essa caminhada.

Se ao olhar-se no espelho você examina seus cabelos e se aborrece ao ver mais um fio de cabelo branco,
Lembre-se do paciente químico de câncer que gostaria de ter cabelos para examinar.

Se você se sente vazio e pensa:
"Afinal o que é a Vida? Qual é o meu propósito?",
Lembre-se daqueles que se foram prematuramente e não tiveram a oportunidade de fazer-se essas perguntas.

Se você se sente vítima da ignorância, da amargura, da mediocridade e das inseguranças de alguns,
Lembre-se que poderia ser pior se você fosse um deles.

Se você se sente deprimido com sua aparência, como se ausência de beleza fosse algum tipo de doença,
Lembre-se de que não há cura para AIDS ...


Autor Desconhecido

Bjs


23.11.04

O Mundo Para Todos


Hoje recebi este texto de uma amiga e simplesmente arrepiei-me ao lê-lo.

Esse texto foi a resposta do Senador Cristovam Buarque, ex-governador do Distrito Federal e Ministro da Educação do governo de Fernando Henrique, durante debate em uma Universidade nos Estados Unidos (out/2000), quando foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

Ao meu ver o Senador Cristovam Buarque não deu um tapa com luva de pelica, ele deu um soco ao pé de cada ouvido e na boca do estomago dos insensatos que acham que podem entrar em nossa casa sem pedir licença e levar tudo que temos por se acharem donos do mundo. Esse tema não é um fato novo, pelo contrário, essa lenga-lenga já rola a uns bons anos e infelizmente ainda vai rolar, pois a ganância dos ditos poderosos é maior que a suposta guerra deles pelo bem estar da humanidade.

Pois bem os que me conhecem pessoalmente, sabem que não sou à favor de nenhuma organização política partidária e/ou religiosa, mas não posso deixar de aplaudir de pé, o Senador Cristovam Buarque e faço as dele as minhas palavras.

Bjs


O MUNDO PARA TODOS

Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha.
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um pais. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia.
Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

Cristovam Buarque

Cristovam Buarque, é Professor da UNB, autor do livro "A cortina de ouro".
Esse texto foi publicado pelo jornal O Globo, Opinião, no dia 23 de outubro de 2000 e a transcrição foi feita por Kleuber Matta.

21.11.04

Eu sou eu, você é você


Ai ai ai... Quem um dia não passou por isso que atire a primeira pedra nos apaixonados de plantão. Podem começar que já coloquei meu capacete...

C’est la vie mes ami, c’est la vie...
Baisers

Na volúpia de preencher as lacunas da carência, de consumar o sonho do encontro, o ser desejante, sempre à mercê do acaso, defronta-se súbito com o objeto de desejo, num encontro sem procura com quem tanto procurava. E com gana morde a maçã que se oferece na passagem. Irrompe a euforia inesperada que balança tudo, desarruma tudo, tira tudo da ordem. Na vertigem do redemoinho, a lucidez se dilui no jogo diabólico da sedução desenfreada e a vontade de posse dança um minueto com a necessidade de entrega.
Aconteceu o imprevisto mais esperado. Há que faltar à festa, renunciar à viagem, adiar encontros. Amigos não entendem, olham com velada censura, talvez com ciúme ou inveja. Para o ser desejante, tudo é deslumbramento, encantamento, exaltação e disposição para a aventura. Olhos radiantes brilham como estrelas, sorrisos cálidos iluminam os rostos, é luminosa a beleza dos corpos, e tudo que deles emana, do perfume ao suor. Loucura!
E cada um quer fazer de si o delírio do outro, quer ser a própria concretização do sonho do outro. Na paixão, o ser se explica, se entende, se justifica no mundo, e busca no outro a plenitude. Ah, vontade de falar de si! Vontade de beber as palavras do outro! Ah, vontade irreprimível de contar, de espalhar aos quatro cantos! O apaixonado sente, vive e enlouquece com a paixão.
Emoções transbordam, extrapolam, transcendem. A paixão não tem medidas. A paixão é barroca. Para o apaixonado, cada coisa tem sentido, qualquer coisa ganha sentido, tudo faz sentido, e a unidade dos sentidos provoca súbitos arrepios de plenitude. Apaixonado ouve ópera (a paixão é operística!) Vê filmes épicos (é épica também!) Toma champanhe na cama (é deliciosamente extravagante!).
Mas a paixão é também ouvir música brega, tomar pilequinho, dançar coladinho e ler poesia derramada. Mandar flores, telefonar a cada hora, guardar retrato na carteira e chicletes no bolso. Escanhoar, maquiar, mudar o guarda-roupa, marcar férias, passear de mãos dadas após a chuva, sentir o cheiro de terra molhada, colher flores silvestres, ouvir passarinho. Há ternura no gesto, humor na frase, sensualidade no toque e euforia na dança do universo. Apaixonado desenha o futuro no impulso de ser feliz.
O que pensam da paixão os apaixonados? Ora, não pensam nada. Tivessem tempo, talvez gostassem de entender o que é a paixão e o delírio que a embala; saber por que esta pessoa e não outra. Celebrar o destino que os uniu. Porém, apaixonados não querem entender nada. Não sabem se desejam o outro por esta ou aquela razão e paixão tem lá razão? Desejam por tudo ou por nada. Mas desejam completamente. Impossível classificar o objeto da paixão, ele é único, não cabe na moldura de um adjetivo, e existe apenas para atender o ser desejante. O apaixonado gosta de estar apaixonado pela sua paixão. E isso é tudo.
Aos poucos, a palavra vai se tornando desnecessária, vai sendo substituída por murmúrios e afagos, por sorrisos e carinhos, olhos que se devoram, mãos que se apertam, quase em silêncio. Dizem sim a tudo, ficam cego ao mundo e devotam-se um ao outro. Encontram-se num abraço, no qual cada um sente que abraça tudo o que deseja do mundo. E no beijo, repetem Diderot: "Inclina teus lábios sobre os meus e que ao soltar-se da minha boca vá contigo a minha alma". É êxtase, desfalecimento, aniquilamento.
Imprevisíveis e misteriosas são as armadilhas da paixão. Na volúpia insana de ser tudo o que falta ao outro, um lança ao abismo do outro. Total entrega de um ser ao outro, abandono de um ser no outro e o faz com tal ímpeto que, se falha o outro e não o acolhe, pode não resistir, não se retomar e se perder a paixão tanto infla de vida o apaixonado que parece prenunciar o desenlace, como o sol do meio-dia é grávido de crepúsculo.
Se ao contrário, encontra braços que o acolha, eis a doação de um ser ao outro, a rendição de um ser por outro, a diluição de um ser no outro. Apaixonados se imbricam, se penetram, se desvanecem na paixão. A comunhão plena e absoluta transforma dois corpos em um ser.
O apaixonado rendido sente que caiu na armadilha, debate-se e vai se afundando no poço com limo nas bordas. Sem entender o que aconteceu, intui que nele algo rompeu-se: coisa miúda, um gesto, uma roupa, um objeto, uma frase palavras são cacos de vidro; descuidou-se, o sangue brota. Aos teus olhos, o outro torna-se um estranho, e desaba do Olimpo à vala comum. Se falhou, não é Deus, é apenas mortal. E o ser desejante desapaixona-se enlutado.
Paixão é estado de euforia perpétua, de ser não sendo, a que só os deuses resistem. Que os mortais desejantes encontrem no amor o bálsamo para as feridas da paixão. E eis Clarice Lispector, alçada, por justiça e glória, a oráculo: Eu sou eu, você é você. É certo. Vai durar.

Alcione Araujo
Jornal Estado de Minas

19.11.04

Usem Filtro Solar



Filtro solar nasceu por acaso. A caminho da redação do Chicago Tribune, a jornalista Mary Schmich pensava a respeito do quanto é comum nos sentirmos frustrados diante da grande diferença que existe entre a vida que levamos e a que gostaríamos de levar.
Seguindo essa inspiração, ela escreveu um texto e fingiu que o usaria em uma hipotética formatura da qual seria oradora. Filtro solar foi publicado em sua coluna e, dois meses depois, o texto circulava pela Internet.
Alguém o copiou do jornal e atribuiu sua autoria ao escritor americano Kurt Vonnegut, o que se tornou mais um caso na polêmica questão dos direitos autorais na rede.
E foi desse jeito que Filtro solar ficou conhecido no mundo todo e virou símbolo de otimismo e inspiração.
Deixe-se levar também pela simplicidade e beleza da mensagem.

Bjs



Senhoras e senhores...
Usem filtro solar.
Se pudesse dar um conselho em relação ao futuro diria: "Usem filtro solar".
Os benefícios, a longo prazo, do uso do filtro foram cientificamente comprovados. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência.

Eis aqui um conselho:
Desfrute do poder e da beleza da juventude.
Oh, esqueça! Você só vai compreender o poder e a beleza da juventude quando já tiverem desaparecido.
Mas acreditem em mim. Dentro de vinte anos, você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você eram realmente fabulosas.
Você não é tão gordo quanto você imagina.
Não se preocupe com o futuro.
Ou se preocupe, se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete.
É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida são aqueles que nunca passaram por sua mente, tipo aqueles que tomam conta de você às quatro da tarde em alguma terça-feira ociosa.
Todos os dias, faça alguma coisa que seja assustadora.
Cante!
Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável.
Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação a você.
Relaxe!
Não perca tempo com inveja.
Algumas vezes você ganha, algumas vezes você perde.
A corrida é longa e, no final, tem que contar só com você.
Lembre-se dos elogios que recebe.
Esqueça os insultos. (Se conseguir fazer isso, me diga como.)
Guarde suas cartas de amor.
Jogue fora seus velhos extratos bancários.
Estique-se!
Não tenha sentimento de culpa se não sabe muito bem o que quer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida.
Algumas pessoas interessantes de 40 anos que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja gentil com seus joelhos. Você sentira falta deles quando não funcionarem mais.
Talvez você se case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos 40, talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.
O que quer que faça, não se orgulhe nem se critique demais.
Todas as suas escolhas tem 50% de chances de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.
Curta seu corpo da maneira que puder.
Não tenha medo dele ou do que outras pessoas pensem dele. Ele é seu maior instrumento.
Dance, mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.
Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga.
Não leia revistas de beleza. A única coisa que elas fazem é mostrar você como uma pessoa feia.
Saiba entender seus pais. Você nunca sabe a falta que vai sentir deles.
Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com seu passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.
Entenda que amigos vão e vem, mas que há um punhado deles preciosos, que você tem que guardar com carinho.
Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos da vida, porque quanto mais você envelhece tanto mais precisa das pessoas que conheceram você na juventude.
More na cidade grande, mas mude-se antes que a cidade transforme você em uma pessoas dura.
More no interior, mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.
Viaje!
Aceite certas verdades eternas: os preços sempre vão subir; os políticos são todos mulherengos; você também vai envelhecer.
E quando envelhecer, vai fantasiar que quando você era jovem, os preços eram acessíveis, os políticos eram nobres de alma e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite as pessoas mais velhas.
Não espere apoio de ninguém.
Talvez você tenha uma aposentadoria.
Talvez tenha se case com alguém rico.
Mas, você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.
Não mexa muito em seu cabelo.
Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta cinco.
Tenha cuidado com as pessoas que dão conselho, mas seja paciente com elas.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Dar conselhos é uma forma de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço maior do que realmente vale.
Mas, acreditem em mim quando eu falo do filtro solar.


Mary Schmich
Colunista do Chicago Tribune


16.11.04

Mulher x Homem

M = Mulher
H = Homem

(Entra em casa...)
M - Oi!
H - Oi!
M - Trabalhou muito?
H - Sim.
M - Tá cansado?
H - Um pouco.
M - Toma um banho!
H - Vou sim... preciso....... (Banho.)
M - Ué... vai sair?
H - Vou dar uma volta.
M - Sozinho?
H - É... sozinho.
M - Vai aonde?
H - Por aí.
M - Sozinho?
H - É.
M - Certeza?
H - Sim.
M - Quer que eu vá com você?
H - Não... pode deixar... prefiro ir sozinho.
M - Vai sozinho andar pela cidade?
H - É.
M - De carro?
H - Sim.
M - Tem gasolina?
H - Sim... coloquei.
M - Vai demorar?
H - Não... coisa de uma hora.
M - Vai a algum lugar específico?
H - Não... só rodar por aí.
M - Não prefere ir a pé?
H - Não... vou de carro.
M - Traz um sorvete pra mim!
H - Trago... que sabor?
M - Manga.
H - Ok... na volta eu passo e compro.
M - Na volta?
H - Sim... senão derrete.
M - Passa lá, compra e deixa aqui.
H - Não... melhor não! Na volta... é rápido!
M - Ahhhhh!
H - Quando eu voltar eu tomo com você!
M - Mas você não gosta de manga!
H - Eu compro outro... de outro sabor.
M - Aí fica caro... traz de cupuaçu!
H - Eu não gosto também.
M - Traz de chocolate... nós dois gostamos.
H - Ok! Beijo... volto logo...
M - Ei!
H - O que?
M - Chocolate não... Flocos...
H - Não gosto de flocos!
M - Então traz de manga prá mim e o que quiser pra você.
H - Foi o que sugeri desde o começo!
M - Você está sendo irônico?
H - Não... tô não! Vou indo.
M - Vem aqui me dar um beijo de despedida!
H - Querida! Eu volto logo... depois.
M - Depois não... quero agora!
H - Tá bom! (Beijo.)
M - Vai com o seu ou com o meu carro?
H - Com o meu.
M - Vai com o meu... tem cd player... o seu não!
H - Não vou ouvir música... vou espairecer...
M - Tá precisando?
H - Não sei... vou ver quando sair!
M - Demora não!
H - É rápido... (Abre a porta de casa.)
M - Ei!
H - Que foi agora?
M - Nossa!!! Que grosso! Vai embora!
H - Calma... estou tentando sair e não consigo!
M - Porque quer ir sozinho? Vai encontrar alguém?
H - O que quer dizer?
M - Nada... nada não!
H - Vem cá... acha que estou te traindo?
M - Não... claro que não... mas sabe como é?
H - Como é o quê?
M - Homens!
H - Generalizando ou falando de mim?
M - Generalizando.
H - Então não é meu caso... sabe que eu não faria isso!
M - Tá bom... então vai.
H - Vou.
M - Ei!
H - Que foi, cacete?
M - Leva o celular, estúpido!
H - Prá quê? Prá você ficar me ligando?
M - Não... caso aconteça algo, estará com celular.
H - Não... pode deixar...
M - Olha... desculpa pela desconfiança... estou com saudade... só isso!
H - Ok meu amor... Desculpe-me se fui grosso. Tá.. eu te amo!
M - Eu também!
M - Posso futricar no seu celular?

H - Prá quê?
M - Sei lá! Joguinho!
H - Você quer meu celular prá jogar?
M - É.
H - Tem certeza?
M - Sim.
H - Liga o computador... lá tem um monte de joguinhos!
M - Não sei mexer naquela lata velha!
H - Lata velha? Comprei pra a gente mês passado!
M - Tá.. ok... então leva o celular senão eu vou futricar...
H - Pode mexer então... não tem nada lá mesmo...
M - É?
H - É.
M - Então onde está?
H - O quê?
M - O que deveria estar no celular mas não está...
H - Como!?
M - Nada! Esquece!
H - Tá nervosa?
M - Não... tô não...
H - Então vou!
M - Ei!
H - Que ééééééé?
M - Não quero mais sorvete não!
H - Ah é?
M - É!
H - Então eu também não vou sair mais não!
M - Ah é?
H - É.
M - Oba! Vai ficar comigo?
H - Não vou não... cansei... vou dormir!
M - Prefere dormir do que ficar comigo?
H - Não... vou dormir, só isso!
M - Está nervoso?
H - Claro, porra!!!
M - Por que você não vai dar uma volta para espairecer?



Luis Fernando Veríssimo


Não sei por que, mas aho que já vi este filme.... rs rs rs
Bjs

15.11.04

Definições


Amigo: Diz-se da pessoa do sexo masculino que tem esse "não sei o quê" que elimina toda a intenção de querer dormir com ele.
Amiga: Diz-se da pessoa do sexo feminino que tem esse "não sei o quê" que elimina toda a intenção de querer dormir com ela.
Amor: Palavra de quatro letras, duas vogais, duas consoantes e dois idiotas.
Arquiteto: Diz-se de um tipo que não foi suficientemente macho para ser engenheiro nem suficientemente maricas para ser decorador.
Auditor: É o que chega depois da batalha e dá pontapés aos feridos.
Banqueiro: É um tipo que te empresta o seu guarda-chuva quando há um sol radioso e o reclama quando começa a chover.
Consultor: É alguém que tira seu relógio, te diz as horas e te cobra por isso.
Dançar: É a frustração vertical de um desejo horizontal.
Diplomata: É quem te diz que “vá à merda” de um modo tal que te sentes ansioso de que comece a viagem.
Dor de cabeça: O anticoncepcional mais usado pela mulher do séc. XXI
Economista: É um perito que saberá amanhã porque o que predisse ontem não aconteceu hoje.
Entrevista: O que se vê entre as pernas da entrevistada
Escoteiro: Um menino vestido de parvo comandado por um parvo vestido de menino.
Fácil: Diz-se da mulher que tem a moral sexual de um homem.
Físico quântico: Um homem cego num quarto escuro, à procura de um gato negro que não está lá.
Futebol: É com quem toda a mulher se casa sem saber.
Hardware: Parte do computador que recebe as pancadas quando o software não funciona.
Inflação: É ter que viver pagando os preços do ano que vem com o salário do ano passado.
Intelectual: Indivíduo capaz de pensar por mais de duas horas em algo que não seja sexo.
Lamentável: Homem com uma ereção que caminha para uma parede e o primeiro com que toca é com o nariz.
Língua: Órgão sexual que alguns degenerados usam para falar.
Monógamo: Polígamo reprimido.
Nanosegundo: Fração de tempo que decorre entre o semáforo ficar verde e o carro de trás buzinar.
Ninfomaníaca: Termo com o qual um homem define uma mulher que deseja ter sexo mais amiúde que ele.
Pessimista: Otimista com experiência.
Programador: É aquele que te resolve um problema que não sabias que tinhas, de uma maneira que não compreendes.
Psicólogo: É aquele que olha para todos os demais quando uma mulher atraente entra na sala.
Trabalho em equipe: Possibilidade de deitar a culpa a outros.
Urologista: É o médico que te olha para a pila com desprezo, a toca com asco e te cobra como se a tivesse chupado.


Autor(a) Desconhecido(a)