
3.6.15
Ressurreição
1.5.10
Filho do Tempo
Ei menino, onde você está?
Menino filho do vento
Menino filho do tempo
Que não tem hora nem lugar.
Ei menino, a onde você vai?
Não trabalhes agora
Tem um monstro lá fora
E ele quer te pegar.
Ei menino, por que você não fala?
Deite aqui no meu colo
Deixe-me te dar colo
Que eu quero te cuidar.
Ei menino, o que você faz agora?
Você é o filho do tempo
Para esse relógio
E vamos brincar.
Ei menino, olha pra mim!
Deixe-me ver nos teus olhos
Quem é esse filho do vento
E onde seu coração está.
Silvana G Melo
27.4.10
Mais uma vez me desculpe
(...) Deixe-me te dizer uma outra coisa e depois basta.
Não quero ofendê-lo. A sua consciência, como você diz. Você não quer ser questionado. Eu tinha esquecido disto, desculpe. Mas eu reconheço, reconheço que, por si mesmo, dentro de si, você não é aquele que de fora eu vejo. Não porque não quero. Eu queria que você estivesse pelo menos convencido disso. Você se conhece, se sente, se vê de uma maneira que não é a minha, mas a sua. E você acredita ainda que a sua maneira seja certa e a minha errada. Será... Não nego. Mas pode o seu jeito de ser o meu ou vice-versa?
Veja que voltamos ao início!
Eu posso crer em tudo que me dizem. É verdade. Te ofereço uma cadeira: sente-se e vejamos se chegamos a um acordo. Depois de uma boa meia horinha de conversa, nos entendemos perfeitamente.
Amanhã você retornará, com o dedo em riste, gritando:
- Mas como? O que você entendeu? Você não me disse isso e aquilo outro?
Isso e aquilo, perfeitamente. Mas o problema é que você, caro, nunca entenderá, nem eu nunca poderei te explicar como se traduz em mim aquilo que você me diz. Você não falou em turco, negativo. Usamos, eu e você, a mesma língua, as mesmas palavras. Mas que culpa temos, eu e você, se as palavras, em si, são vazias? Vazias, meu caro. E você as preenche com o seu sentido ao dizê-las a mim, e eu as recebê-las, inevitavelmente, as preencho com o meu sentido. Acreditamos de nos ter entendido, mas não nos compreendemos de fato.
Eh, esta história é velha, se sabe. E eu não pretendo dizer nada de novo, apenas torno a te perguntar:
-Mas por que então, santo Deus, você continua a fazer como se não soubesse? Falar-me de você, se você sabe que para ser para mim aquilo que você é para você mesmo e eu a você tal como sou para mim, seria necessário que eu, dentro de mim, te desse aquela mesma realidade que você dá a você e vice-versa, e isso, é possível?
Aí, caro, por mais que você fizesse, você me daria sempre uma realidade do seu jeito, mesmo acreditando de boa fé que seja o meu jeito, e será, não digo, quem sabe será, mas de um “meu jeito” que eu não conheço nem poderei nunca conhecer, o qual somente você que me vê de fora, conhece: então um “meu jeito” para você, não é um “meu jeito” para mim.
Se houvesse fora de nós, para você e para mim, se existisse uma senhora realidade minha e uma senhora realidade sua, digo, por si mesma, iguais e imutáveis. Mas não existe. Há em mim e para mim uma realidade minha, aquela que eu me dou e uma realidade sua em você e para você; aquela que você se dá, as quais não serão nunca as mesmas nem para você nem para mim.
E então? Então meu amigo, é necessário nos consolarmos com isso: que não é mais verdadeira a minha que a sua realidade e que duram apenas um momento tanto a sua como a minha.
Isso te confunde um pouco? Então assim... concluímos... (...)
Luigi Pirandello
Um, Nenhum e Cem mil, 2ºlivro – IV
(Luigi Pirandello, Uno, Nessuno e Centomila, Libro secondo – IV)
Traduzido por: Silvana G Melo
9.11.09
Não devemos nos perguntar porque...
(...) Não nos perguntamos qual o propósito dos pássaros cantarem, pois o canto é o seu prazer, uma vez que foram criados para cantar.
Igualmente, não devemos nos perguntar porque a mente humana se inquieta para desvendar os segredos dos céus...
A diversidade dos fenômenos da Natureza é tão vasta e os tesouros escondidos nos céus tão ricos, justamente para que a mente humana nunca deixe de nutrir-se (...)
23.6.09
Dá um abraço?
Ontem foi meu niver, para mim um dia normal, mas para as pessoas que pensam com os parâmetros normais da sociedade, o dia em que uma pessoa nasceu é especial.
Recebi vários telefonemas, cartões virtuais, mensagens de carinho, de afeto e reconhecimento. Devo confessar que mesmo não considerando datas de aniversário como um dia especial, mas é muito bom ser lembrado, faz bem ao ego, principalmente naqueles dias que não se está muito bem.
Estas mensagens por mais simples que foram, me emocionaram... Apesar de normalmente não transparecer, sou muito sensível e emotiva e com isso acabei passando o dia numa espécie de “céu e inferno”, recordando os bons e maus momentos com aquelas pessoas e o porque do carinho delas comigo. Pois é, entrei em crise comigo mesma, por pura comoção... Eh! Dessa vez vocês conseguiram mexer comigo... Acabei descarregando no Giu... Mas está tudo bem agora...
Hoje pela manhã, recebi uma mensagem de um aparente desconhecido no Netlog. Este postou como mensagem de aniversário parte da poesia “Dá um abraço? - de Macedo Junior”.
Caspita!!! Que mensagem linda... e certeira... Não pude deixar de buscá-la e postá-la aqui na integra.
Ao suposto desconhecido e a todos que sempre me têm guardada em um cantinho do coração, obrigado por tudo.
Paz e Luz
Segue a poesia...
Dá um abraço?
De repente deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
de amizade... sei lá...
Talvez um aconchego amigo e meigo,
que enfatize a vida e amenize as dores...
Que fale sobre os amores,
seja afetuoso e ao mesmo tempo forte.
Deu vontade, de poder ter saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço...
Mas que faça lembrar do carinho,
que surge, devagarinho,
da magia da união dos corpos,
das auras... sei lá.
Lembrar do calor das mãos,
acariciando as costas a dizer: Estou aqui!
Lembrar do enlaçar dos braços,
envolventes e seguros,
afirmando: Estou com você!
Lembrar da transfusão de forças,
ou até da suavidade do momento... sei lá...
Então, pensei em como chamar esse abraço:
abraço poesia, abraço força,abraço união,
abraço suavidade, abraço consolo e compreensão,
abraço segurança e justiça, abraço verdade,
abraço cumplicidade?
Mas o que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energias, que harmoniza,
integra o todo e se traduz no cosmos,
no tempo e no espaço...
Só sei que agora deu vontade desse abraço.
Um abraço que desate os nós,
transformando-os em envolventes laços.
Que sirva de colo,
afastando toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima de alegria,
e acalme o coração...
Um abraço que traduza a amizade,
o amor e a emoção....
E para um abraço assim ,
Só consegui pensar em você!
Nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade,
que sabe entender o por quê,
dessa minha vontade.
Pois então...
Dá logo este abraço!
www.trovadorpr.com
15.5.09
Conversando sobre provas e lições da vida
Muitas vezes, a prova de alguém não está em enfrentar grandes obstáculos. Pelo contrário, é nas coisas pequenas que grandes testes são realizados. É na média das ações e suas reações correspondentes, que se revela o jeito. As provas de paciência são cruciais e aquelas de perdão, então, nem se fala...
É na senda diária que se prova o desenvolvimento consciencial, nas lides da vida. É no trato com o mundo que surgem os conflitos, e o aprendizado da sabedoria. Realizar-se em meios espirituais é uma coisa; manter o alto nível no mundo é outra.
Competir com os outros pode ser estimulante para alguns; mas, quem ganha o que? Vencer a si mesmo é o grande lance! E rir de si mesmo, depois, é muito bom. O verdadeiro templo é o próprio coração do homem. É onde ele encontra a si mesmo. Harmonizado consigo mesmo, ele deixa de bravatas e recolhe o orgulho, rindo mais... Porém, muitas vezes, o homem chora antes disso... E lava seu espírito!
No cadinho da dor e da provação, surgem grandes transformações; e ele evolve... A roda da vida não pára.
Mas, como o homem reage às suas circunvoluções vitais?
Quando a dor surge, quem continua cantando?
E quem confia no próprio espírito?
Diante do ceticismo do mundo, quem continua firme em sua jornada de luz?
Nas alamedas do cemitério, quem é capaz de rir, ao lembrar-se que a vida segue?...
Rastejando pelo mundo, como a lagarta, quem pensa em si mesmo como borboleta?
Ah, as provas acontecem em todo lugar: dentro e fora de cada um; aqui e além e o importante não é o que acontece, mas o que se faz com o que acontece.
Espiritualidade é consciência. É atitude. É equilíbrio. Não é ter; é SER!
Quem tira lição de tudo, sabe: lamentar-se de nada adianta; vale mais compreender e quem compreende sempre se renova. Nasce e morre em si mesmo, sempre. As grandes lições estão nas pequenas coisas; paciência e perdão são grandezas. Mestre é quem vence a si mesmo. É quem ainda ri como criança...
A lagarta se tornará borboleta, assim como, um dia, o ignorante será um sábio e só o Grande Arquiteto Do Universo é que sabe o tempo certo de cada coisa.
A vida não pára... E há tanto para aprender; dentro e fora, aqui e além...
P.S.:
Esse mundo precisa de mais música legal.
Precisa de gente com fé e generosidade na jornada.
Precisa de gente corajosa, que se atreva a ser feliz.
Precisa de gente que ria mais, inclusive de si mesma.
Precisa de gente que valorize um grande amor.
Precisa de gente disposta a vencer a si mesma.
Precisa de gente capaz de perdoar, aos outros, e a si mesma.
Precisa de gente que se atreva a carregar o sol na cara.
Precisa de gente que agradeça ao Todo, só por existir...
Sim, gente boa, dentro e fora, aqui e além...
Paz e Luz.
IPPB – Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas
7.9.08
Lobos
– Mestre, preciso de sua ajuda. Eu não sei mais o que fazer.
– O que lhe parece ser o problema? Perguntou o sábio.
– Estou tendo muita dificuldade em controlar minha raiva, disse o visitante. É o jeito que as pessoas são. Eu as vejo criticando os outros enquanto estão totalmente cegos para seus próprios defeitos. Eu não quero criticá-los para não ser como eles, mas isto realmente me irrita.
– Eu compreendo, disse o sábio. Mas diga-me uma coisa primeiro. Não foi você que escapou por pouco da morte no ano passado?
– Sim, confirmou o visitante. Foi uma experiência terrível. Eu me aventurei muito longe na floresta, e fui cercado por um bando de lobos esfomeados.
– E o que você fez?
– Eu subi numa árvore quando eles estavam correndo em minha direção. Eram lobos grandes, e eu não tenho nenhuma dúvida de que me poderiam me fazer em pedaços.
– Então, você ficou preso?
– Sim. Eu sabia que não poderia ficar lá por muito tempo, sem água e sem comida, e ficava esperando que eles diminuíssem sua atenção. Quando percebia que seria seguro, eu pulava até o chão e corria como um louco até a próxima árvore, e subia de novo.
– Parece que foi uma provação muito difícil.
– Sim, durou dois dias. Eu pensei que fosse morrer. Por sorte, um grupo de caçadores se aproximou depois que eu cheguei um pouco mais perto da vila. Os lobos se espalharam e eu me salvei.
– Estou curioso sobre uma coisa, disse o sábio. Durante sua experiência, você se sentiu ofendido pelos lobos?
– Como? Ofendido?
– Sim. Você se sentiu ofendido ou insultado pelos lobos?
– Claro que não, Mestre. Este pensamento nunca me passou pela cabeça.
– Como não? Eles queriam morde-lo, não queriam? Eles queriam matá-lo, não queriam?
– Sim, mas... Isto é o que os lobos fazem! Eles estavam sendo conforme sua natureza. Seria um absurdo que eu encarasse isso como uma ofensa.
– Ótimo! Agora vamos conservar este pensamento enquanto examinamos sua pergunta. Criticar os outros enquanto permanecem cegos para os próprios defeitos é uma coisa que muitas pessoas fazem. Pode-se até dizer que é uma coisa que todos nos fazemos de vez em quando. De certa forma, é um lobo voraz que vive em cada um de nós.
Quando os lobos mostram suas presas e o ameaçam não se deve ficar parado. Você certamente deve proteger-se fugindo deles tanto quanto possível. Da mesma forma, quando as pessoas o perturbarem com críticas maldosas, você não deve aceitar isso passivamente. Você deve proteger-se, distanciando-se o quanto possível.
O aspecto crucial é que isto deve ser feito sem que se sinta ofendido ou insultado, por que essas pessoas estão apenas sendo elas mesmas. É da natureza delas serem críticas e cheia de julgamentos, de modo que seria um absurdo ficarmos ofendidos, e seria inútil ficarmos bravos.
A próxima vez que os lobos esfomeados na pele de homens correrem atrás de você, lembre-se: é o jeito que as pessoas são - exatamente como você disse assim que chegou.
Por Derek Lin
Histórias Taoístas
www.taoism.net
20.4.08
Ser Humano
Ser sem vida que só tem fome.
Que ser humano?
Vida desumana seguida pela foice.
Menino que chora...
Chora pela luta que não tem.
Chora pela vida que não tem.
Enquanto o Rei Gordo,
Sacia sua fome no castelo de cristal.
Onde está o humano?
Que humano...
Maldito humano...
Rei Gordo fedido!
Você é humano?
Humano de carapaça curta e suja
Que nunca é justo a não ser com ele mesmo.
E o poder do Rei Gordo fedido
Que sabota o pouco que ainda existe de bom.
Cadê o sorriso do menino?
Está só no papel ou perdido no carvão?
Rei Gordo que lava suas falsas feridas com óleo de oliva,
Enquanto o menino lambe sua própria carne...
Rei gordo maldito...
Humano... Que humano?
Postado originalmente em 11 de abril de 2006,
no blog Night Eyes, como comentário
no post E eis a Inclusão Social...
23.3.08
Soneto do corifeu
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.
Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua
- Vinicius de Moraes -
18.9.07
Existem almas gemeas?
De acordo com a Kabbalah, sim. Antes de virem para este planeta, os aspectos femininos e masculinos da alma eram unidos. Quando vieram para este mundo, e não vieram necessariamente ao mesmo tempo, o masculino e o feminino se separaram, criando assim o conceito de almas gêmeas, que são almas que se complementam totalmente.
O casamento entre almas gêmeas é muito raro, e podemos dizer que atualmente, 90% dos casamentos são processos de correção. Antes de se reunir a sua alma gêmea, é necessário que cada pessoa encontre o seu caminho espiritual, seja ele qual for, e trabalhe para o seu crescimento individual. Só então é que terá o mérito de encontrar sua alma gêmea, para reunir-se a ela e continuarem juntos o seu trabalho espiritual. Por esse motivo são necessários os casamentos entre pessoas que não são almas gêmeas, e são muitos os aspectos pelos quais os parceiros podem ser necessários um ao outro, até que chegue o momento apropriado para a reunião com a alma gêmea. Podemos até ter um bom casamento, termos bons filhos, sermos felizes nesse relacionamento, sem significar que este seja o encontro com nossa alma gêmea. Pode se passar muitas vidas sem que se encontre a alma gêmea, até que o homem e a mulher alcancem o nível de consciência espiritual para se reconhecerem, e no momento propício, o encontro acontecerá.
Em geral, almas gêmeas são pessoas bastante diferentes, com criação e educação distintas, e dificilmente são pessoas que se conhecem desde pequenas. Normalmente, são pessoas que viveram por tempos distantes uma da outra, ou até próximas, mas sem se conhecerem até o momento do encontro. Geralmente são aqueles relacionamentos que parecem impossíveis de dar certo, e muitas vezes o casal enfrenta muitas dificuldades para poderem ficar juntos. Mas apesar das diferenças, gostos e necessidades individuais, existem grandes semelhanças e afinidades em termos de ideologias e objetivos de vida. Há entre eles uma habilidade quase telepática, o que é a pista mais evidente de que se trata de almas gêmeas.
Entretanto, um casamento entre almas gêmeas não significa que seja perfeito, que não haja discussões e problemas a serem enfrentados. Tudo faz parte do processo de crescimento individual ou do casal. Quando se encontra a alma - gêmea sem ainda ter completado o tikun (correção), o relacionamento ainda não é perfeito. Mas uma parte de nosso tikun (correção) só pode ser realizada junto com a nossa alma gêmea. Essa é a razão pela qual existe o divórcio no judaísmo. Se uma pessoa casada encontrasse sua alma gêmea e não existisse o divórcio, seu parceiro teria que morrer para que ela pudesse se reunir a sua alma - gêmea, já que esse encontro é muito forte e tem que acontecer de qualquer jeito. Mais do que a plenitude do casal , o encontro das almas - gêmeas ocorre por uma causa maior, em benefício do universo, por isso esse encontro é tão necessário e poderoso.
Rabino Joseph Saltoun
26.7.07
Oração a mim mesmo
Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos.
Chorar menos.
Ver nos olhos de quem me vê, a admiração que eles me têm e não a inveja, que prepotentemente, penso que têm.
Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática, as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.
Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhos.
Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis;
Aqueles que morrem e ressuscitam
a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.
Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar,
sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.
Que eu me permita o silêncio das formas, dos movimentos, do impossível, da imensidão de toda profundeza.
Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras, pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde).
Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma, vislumbrar as curvas, desenhar as retas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida.
Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante.
Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam minhas dúvidas.
Que eu saiba perder meus caminhos mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo:
- Que eu não tenha medo de meus medos!
Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis e desperte com o coração cheio de esperanças.
Que eu faça de mim um homem sereno dentro de minha própria turbulência, sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos, humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas (que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas e o quanto é valiosa minha pequenez).
Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso, ser órfão.
Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei, traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências;
Respeitar incondicionalmente o ser;
O ser por si só, por mais nada que possa ter além de sua essência, auxiliar a solidão de quem chegou, render-me ao motivo de quem partiu e aceitar a saudade de quem ficou.
Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado, fazer gentilezas quando recebo carinhos;
Fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas.
Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só.
Oswaldo Antonio Begiato
Paz e Luz "Donana"
Bjs
20.6.07
Olavo de Carvalho
Este vídeo contém imagens fortes e palavras de baixo calão.
Não é recomendável a menores de idade e senhoras sensíveis, digo... pessoas sensíveis.
Bjs
19.6.07
Alexandre Garcia
Bjs
- agosto de 2006 -
- Abril de 2007 -
24.3.07
Eu sou uma Bruxa
Eu sou uma bruxa
Com rimas e razões.
Eu estou em mudança como as estações.
Minha mãe é a lua,
Meu pai é o sol,
Eu sou uma com a Deusa Terra.
Eu sou uma bruxa, uma criança Pagã.
Espírito da natureza da mãe selvagem
Cresce dentro de mim, flui dentro de mim,
Serpenteando como um córrego enfeitiçado,
Encantando cada meu despertar sonhando.
Eu respiro o ar da libertação,
Eu tendo o fogo da transformação,
Eu bebo a água da criação,
A Magia da Terra é minha conjuração.
Eu sou uma bruxa da sombra e ilumino-me,
Do vôo das névoas e dos corvos de Avalon.
Eu sou uma bruxa, com orgulho dizer Eu,
Para uma bruxa a alma nunca morre.
Gerina Dunwich
Tradução de Daniel Calegari e Ayesha Tamarix
http://webgtp.com/gtp/index.php
Original site Gerina Dunwich:
http://www.freewebs.com/gerinadunwich/
A tempos eu não postava aqui no SPS, antes que perguntem: não, não aconteceu nada comigo, apenas o dia-a-dia tem me deixado um tanto longe de "muitas coisas" que eu gosto. Mas confesso que precisei dar um tempinho a mim e postar essa poesia tão linda e que bateu tão fundo. Mas uma vez a sensibilidade da Ayesha Tamarix, tocou em mim.
Paz e Luz à todos.
Ps: Em alguns dias este blog estará com um novo layout.
19.11.06
Você escolheria um traidor?
Muitos pais, ao escolherem o nome do seu filho, procuram saber o significado deste nome, outros apenas escolhem de acordo com seu gosto pessoal ou homenageiam alguém. Independentemente dos motivos da escolha, notamos que nomes bíblicos como José e Maria são os mais usados em toda história e com certeza os nomes dos doze apóstolos, entre eles Pedro, Paulo, João e Marcos, são sem dúvida os “campeões de bilheteria”.
E quanto a Judas? Você conhece alguém chamado Judas Iscariotes? Realmente, entre todos os apóstolos, Judas é o que recebe 100% de rejeição. E você escolheria um traidor? Vamos além, você seria um traidor?
Se analisarmos a fundo esta história, vamos ver que, mesmo não levando seu nome, muitas vezes agimos como Judas agiu em relação a Jesus. Não acredita?
Texto: Mt 26: 14-16, 20-23, 47-50
Este texto fala a respeito de todo o processo da traição. Desde o instante em que Judas vai negociar o preço, até o momento em que entrega Jesus com um beijo.
Um dos escolhidos
Judas Iscariotes recebeu trinta moedas de prata para trair Jesus. Essa atitude fez de Judas o traidor mais famoso do mundo. Porém, antes disso ele foi um dos doze apóstolos escolhido pelo próprio Cristo.
Se Jesus o escolheu, de certo Judas era um homem bom. Provavelmente possuía um coração sincero além de amor e temor a Deus. Imagino também que ele tivesse disposição para conhecer e aprender mais sobre o Mestre Jesus. Sendo assim, o que teria acontecido para que Judas tomasse uma decisão tão reprovável depois de andar ao lado dEle durante tanto tempo?
Cuidado com o que parece inofensivo
A queda de Judas Iscariotes aconteceu da mesma forma que ocorre hoje com muitas pessoas. Gradativamente.
Dentre os apóstolos, Judas foi designado por Cristo para cuidar das finanças do grupo. E fez isto muito bem, acredito que eles deixaram de passar por muitas necessidades por causa da competência de Judas.
Porém lentamente, Judas deu ouvidos às mentiras do mundo, talvez tenha começado pegando uma pequena parte da quantia. “Afinal, que mal há nisso? É só uma moedinha!”, ele deve ter pensado. Pouco a pouco, a negligência de Judas ganhou proporções maiores, até que, cego pelo ganância e com o seu coração endurecido, foi capaz de trair Jesus.
Com um beijo, Judas mostrou aos soldados quem era Jesus (Mateus 26. 47-50).
Todos as pessoas são passíveis de cometer erros e os cometem. As investidas do mundo começam sutilmente, com coisas aparentemente inofensivas. Sem vigília ou cuidado, negligenciamos os mandamentos do Senhor e abrimos brechas para o mal até que, como aconteceu com Judas, ficamos insensíveis à voz de Deus.
O arrependimento ou remorso?
O apóstolo Pedro também traiu Jesus ao negá-lo três vezes (Mt 26.69-75), mas a Bíblia relata seu arrependimento, “e saindo dali, chorou amargamente” (Mt 26.75b). O real arrependimento nos trás o perdão do Senhor. Jesus provavelmente deu muitas chances a Judas, como também as dá a você e a mim. Ele deixou claro que sabia dos planos de traição (Mt 26.23). Mas Judas não o ouviu.
O que levou Judas ao suicídio foi o remorso de saber que, por causa da sua traição, Jesus seria crucificado. O arrependimento é bem diferente do remorso. Ele nos faz mudar de atitude e recomeçar.
A frieza espiritual cauteriza o coração
Com o coração frio, chega um momento em que nada mais nos incomoda. Quando Cristo disse que o traidor colocaria a mão no prato com Ele, não tinha a intenção de expor Judas e sim de dar-lhe uma chance de arrepender-se. Mas Judas não olhou nos olhos do Senhor.
Da mesma maneira, hoje, o Senhor vem falar a você: “eu conheço suas intenções, sei das suas motivações. Olhe em meus olhos, sinta o meu amor. Arrependa-se porque há caminho que para o homem parece bom, mas o fim dele conduz a morte” (Pv 14.12).
Pr. Rinaldo Luiz de Seixas Pereira (Pr. Rina)
Não, a Bíblia ainda não é meu livro de cabeceira,
mas como diria Night Eyes:
(...)foi só uma questão de achá-la adequada para alguma coisa(...)
Bom, encontrei este texto do Pr. Rina quando eu fazia uma busca no Google sobre um assunto que não tinha nada haver com traição, traidores, remorso ou arrependimento, mas “pra variar”... Parece que “as coisas” ainda vêm ao meu encontro, nos momentos certos e nas horas oportunas.
Neste mesmo dia, algumas horas antes, eu conversei com uma amiga, sobre alguns fatos que estavam guardados comigo e que achei que estava na hora dela ficar ciente, já que a mesma não estava conseguindo “enxergar” sozinha ou mesmo não estar querendo acreditar.
Coincidências... Coincidências...
4.10.06
Elefantes
Pessoas por toda parte do deserto
Multidão cega e surda
Como uma manada de elefantes meio ao incêndio
Andam em frente sem se dar conta
Do que estão passando por cima
Não olham para o lado ou ao menos para baixo.
Em silêncio, vejo a manada passar por mim
Mesmo que eu grite não escutam
Não pisam, mas não enxergam
Eu não enxergo
Não estou ali
"Many", você ainda está aí?
A pressa é grande, o trabalho é árduo.
O fogo queima na selva de pedra.
É preciso correr!
Elefantes não vêm o por do sol
Nem ouvem a ave que canta à beira do lago
Não percebem a lua que chega
Elefantes não olham para trás.
Corram elefantes... corram... o fogo está vindo!
Continuo em silêncio observando a manada passar...
Silvana G Melo
3.9.06
Um dia você aprende que...
- O Menestrel -
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo, e aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. Aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais, e descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que eles mudam; percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve compará-los com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas onde se está indo, mas se você não sabe para onde está indo qualquer lugar serve.
Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes... E seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando se está com raiva se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém; algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores, e você aprende que realmente pode suportar... Que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
Descobre que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida.
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.
William Shakespeare
É interessante como sempre estou cercada de coincidências, Maktub! A tempos estou para postar este texto, mas sempre algo me impedia. Ora era a imagem que eu não encontrava ou que não me satisfazia, ora era algo que me afastava do tema ou até mesmo problemas pessoais acabavam me afastando do PC e o texto acabava caindo no esquecimento.
Mas esta semana parece que o tema deste texto, me cercou por todos os lados. Parece que cada parágrafo do texto se encaixa em uma situação.
Seja quando conversando com a Aline e que citei sobre a forma que lido com meus filhos, sobre não "estar criando eles para mim" e sim "para o mundo". Sobre apesar de amá-los muito, mas de não ter apego físico/material, sobre "forçar" que eles sejam independentes, sobre eu não me sentir proprietária de meus filhos e sim companheira deles.
Também quando conversei com a Conceição, sobre saudade e o não apego a pessoas próximas que se foram "para o outro lado".
As inúmeras vezes já falei a Déa, sobre a vida das pessoas mudarem, dos interesses mudarem, sobre as necessidades mudarem, sobre por mais amizade que se tenha a alguém, mas que chega certo momento da vida, que as pessoas precisam escolher seu caminho e que nem sempre os "antigos amigos" estão nos planos dessa nova vida. Não que se deixe de gostar destes "antigos amigos", mas por termos escolhido um caminho diferente, por termos necessidades diferentes, por precisarmos do nosso tempo e do nosso espaço.
Essa semana conversei sobre este mesmo assunto com a Inês, mãe da Déa e também disse o mesmo aos "Indeletáveis", pois de certa forma o grupo como um todo, está passando por "uma certa crise existencial".
Tenho sentido que também tem acontecido com o "Adri", ou seja, que ele está buscando um novo caminho. Apesar de eu estar com uma saudade louca dele, das conversas, das buscas, dos trabalhos juntos, das "trocentas" ajudas, dos aprendizados, ensinamentos, das músicas, da companhia em si, mas sinto que ele está buscando um novo caminho e eu estaria sendo egoísta se não entendesse isso.
O Lúcio... Por um bom tempo o Lúcio foi minha única companhia diária, meu amigo mais sincero e justo. Passamos acho que mais de um ano nos fazendo companhia diariamente, chegávamos ao ponto de um saber o que o outro queria dizer... O Lúcio ainda era um menino, mas brigava/briga comigo quando me comporto como uma adolescente insensata aos 41 anos... Bom... Mas veio o famigerado vestiba... Que nos afastou um pouco. Aff! Como eu brigava com o Lúcio quando ele ficava na net em vez de ir estudar ou mesmo descansar. Enfim veio a facul e o Lúcio sumiu... As vezes eu o via entrar no MSN, mas não nos falávamos. Eu reclamava com o "Adri" ou mesmo com a Déa, sobre o Lúcio não me procurar mais. E como eu sentia falta daquele menino, mas sabia que ele apenas estava seguindo o caminho que ele tinha escolhido para ele. Isso me confortava e me deixava/deixa feliz. A Alguns meses atrás, voltamos a conversar, trocar músicas e jogar conversa fora... (sabem que ainda estamos sintonizados? Quando comecei a escrever este parágrafo, ele me chamou no MSN pra me enviar uma foto dele... =P ).
Amizades nascem, amigos que ficam, amigos que se vão, amigos que sempre voltam nem que seja em outro tempo ou em outra vida.
Aline, Conceição, Déa, Indeletáveis, "Adri" e Lúcio um grande beijo no coração de vcs.
Silvana G Melo
28.8.06
Menino de cinco anos recebe intimação da Justiça
Menino de cinco anos recebe intimação da Justiça
JORGE SOUFEN JR
da Folha Ribeirão
"Pai, será que nós vamos ser presos?", perguntou um menino de 5 anos ao pedreiro E. C., pouco antes de comparecer a uma audiência de advertência no Fórum de Serrana (315 km a norte de São Paulo), na última segunda-feira (21). O "crime": quando tinha 3 anos, o garoto teria quebrado o vidro de um carro com uma pedra.
A audiência foi requisitada pelo juiz Guilherme Infante Marconi, que agora é juiz-substituto em Sertãozinho. O garoto foi "advertido" pelo juiz José Roberto Liberal, que está há um mês em Serrana --Liberal pediu transferência da Corregedoria da Vara de Execuções Penais de Araraquara após ser ameaçado por presos.
O procedimento utilizado pela Justiça para a repreensão do menor foi questionado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que vê ilegalidade na aplicação da advertência à criança.
O menino só não foi conduzido ao Fórum a força porque os policiais militares que foram à casa dele na última sexta-feira (18), com o mandado de busca e apreensão nas mãos, não conseguiram encontrá-lo --ele estava na escola.
"Apontei uma foto dele [garoto] para os policiais e falei que aquela criança era o bandido que eles estavam procurando", disse a tia do garoto, a dona-de-casa E. C.
Na segunda-feira (21), o pai levou o menino ao Fórum. "Quando a gente estava indo para lá, meu filho ouviu o barulho de uma ambulância e perguntou se a gente ia ser preso. É uma barbaridade fazer isso com uma criança", disse o pai.
O pedreiro afirmou que o garoto não foi questionado por Liberal. "O juiz falou que foi um mal-entendido e que só nós dois iríamos ficar sabendo o que aconteceu." O pai disse que deve procurar um advogado para ver se cabe indenização.
Brincadeira
O ato infracional aconteceu em outubro de 2004. O garoto estava brincando na rua de sua casa com amigos quando, supostamente, teria jogado uma pedra em um carro em movimento, quebrando uma das janelas do veículo.
A mãe do menino, a diarista N. C. C., afirmou que nem a autoria do ato foi confirmada. "Tinha muita criança brincando na rua. Ele tinha três anos, nem tinha força para jogar a pedra".
Ela contou que chegou a tentar convencer o motorista do carro de desistir da queixa, se oferecendo para pagar o prejuízo, mas o condutor não aceitou a proposta e registrou boletim de ocorrência. "Eu e meu filho fomos para a delegacia em um carro de polícia."
A reportagem não conseguiu localizar o juiz Marconi, que expediu o mandado de busca e apreensão. Ele não compareceu ao Fórum de Sertãozinho hoje, segundo um funcionário. A reportagem tentou entrevistar o juiz Liberal, que ouviu a criança, mas ele afirmou que não dá entrevista à Folha.
Folha On Line
Corregedoria de Justiça vai investigar a intimação de menino de 5 anos
JORGE SOUFEN JR
da Folha Ribeirão
A Corregedoria Geral de Justiça de São Paulo instaurou procedimento para apurar a conduta dos dois juízes que participaram do processo em que um menino de cinco anos foi intimado a participar de audiência de advertência no Fórum de Serrana (315 km a norte de São Paulo) na última segunda-feira (21).
O menino foi intimado porque, em outubro de 2004, quanto tinha três anos, teria jogado uma pedra em um carro, quebrando um dos vidros do veículo. O garoto chegou a ser conduzido ao plantão policial, segundo familiares. Na segunda, foi levado ao Fórum pelo pai, o pedreiro E. C., para receber a advertência judicial.
Os juízes Guilherme Infante Marconi, que expediu o mandado de busca e apreensão do garoto, e José Roberto Liberal, que presidiu a audiência, serão oficiados para dar informações sobre o caso em cinco dias. A corregedoria vai analisar se a intimação do menor seguiu a lei.
De olho no ECA
O Conselho Nacional de Justiça de São Paulo também deverá analisar o caso. A representação ao conselho será feita na semana que vem pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MMDH).
O advogado Ariel de Castro Alves, coordenador da ong, afirmou que a pena aplicada à criança contraria o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). "A advertência, como medida socioeducativa, só é cabível a adolescentes [acima de 12 anos]. Para crianças, só são cabíveis medidas de proteção", disse.
O posicionamento é idêntico ao da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Ribeirão Preto, que ainda analisa as medidas a serem tomadas. "Vamos tomar as providências pertinentes para que fatos como esses não voltem a ocorrer", afirmou Ana Paula Vargas de Mello, presidente da Comissão Regional de Direitos Humanos.
Segundo Alves, os dois juízes que atuaram no caso podem responder criminalmente por submeter a criança a vexame ou constrangimento, crime previsto no ECA com detenção de 6 meses a 2 anos.
O juiz Marconi, que era titular em Serrana, não foi localizado pela reportagem. O juiz Liberal, que está em Serrana há um mês, não quis se manifestar.
Folha On Line
São poucas as notícias que posto aqui no blog e esta eu não podia deixar de passar.
Sabemos que muita coisa errada acontece, debaixo dos nossos olhos e que raramente alguém faz alguma coisa. Muitas vezes pessoas comuns ou mesmo autoridades fazem vistas grossas para crimes de verdade. Já é comum (não deveria ser), vermos notícias de policiais compactuando com bandidos, já é comum (não deveria ser), ver a justiça e os políticos brasileiros compactuando com roubos e todo tipo de irregularidades, como vemos nos meios de comunicação.
Mas a que ponto chegou a moral brasileira, para se abrir um registro de ocorrência policial contra uma criança ainda na primeira infância? Não estou só falando em relação aos dois juízes. Esta história é ridiculamente insana desde o tal motorista registrar a queixa. Tudo bem... vamos supor que o cara estava cheio de problemas, cabeça quente... Mas a coisa foi a quase dois anos atrás... Bom... ele ainda está deve estar de cabeça quente e com certeza ainda deve estar com o vidro do quebrado, já que não aceitou que a mãe do menino pagasse o prejuízo e nem retirou a tal queixa;
O policial que registrou a tal ocorrência. Caraca! Será que nossa polícia está tão despreparada que nem conhece o código penal e muito menos a Constituição Federal? Será que este policial não podia ter um pouco de bom senso de não registrar a ocorrência contra uma criança de 03 (três) anos? Tudo bem.. Era só um policial...
Mas meleca! E a carambola do delegado, também não está ciente do código penal e das leis federais?
E os policiais que foram cumprir o mandado de busca e apreensão? Ah!Tudo bem... Estes estavam apenas cumprindo ordens e mesmo sendo policiais não conheciam o código penal e nem a constituição federal e ordens são ordens... Claro... Não podemos discutir...
Nem vou citar os dois juízes... Ah! Esses não... Me nego... Poxa... Com tantos problemas pra cuidar, porque eles iriam se preocupar em lembrar que as leis existem e que deveriam ao menos ter bom senso...
Será que esse tal motorista, policiais, delegado e juízes conseguem dormir?
Papo sério, aquele menino deve estar muito assustado com isso tudo e acredito que não vá esquecer desse episódio por muitos anos, até porque infelizmente acredito que ele vá ser rotulado pelas mentes cruéis (“filho não brinca com ele não que ele é delinqüente, ele é tão perigoso que foi preso aos 3 e 5 anos”, “Minha filha não vai namorar com este marginalzinho, ele já foi até preso”).
Sinto como se o tempo estivesse voltando para a idade média...
Abraço o Biel... Ainda sem acreditar nas notícias que li e postei...
Silvana G Melo
13.8.06
Vão pra...
Para! Para! Para tudo!
Respira...
Conta até 10...
Bebe um copo d’água...
Espera... Calma
Não manda... Não pensa isso...
Respira fundo novamente...
Conta até 10... Isso... Mais uma vez...
Vamos lá... Bebe mais um pouco d’água
Calma... Não manda...
Para... Pensa...
Olha pra luz!
Não manda...
Continua respirando fundo...
Mais um gole d’água...
Não...
Calma...
Respira...
Agora sim...
A todos que me desejam mal;
Que invejam o pouco que tenho;
Que tentam destruir meus laços de amizade;
Que se deliciam com as minhas lágrimas;
Que não se conformam com meu sucesso e alegria;
Que querem para si “as minhas forças” e o que eu construí.
Eu estendo as minhas mãos, quando precisarem de ajuda e ofereço meu colo quando precisarem de conforto.
Não, não lhes darei a outra face, pois tenho apenas uma.
Aos meus inimigos, corvos e vampiros, desejo-lhes:
Sucesso, saúde, paz, prosperidade, alegria e muita Luz!
Um beijo no coração de vocês.
Respiro e sigo...
Silvana G Melo
2.8.06
Você precisa de um amante!
Geralmente são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores.
Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.
Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "depressão", além da inevitável receita do antidepressivo do momento.
Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que elas não precisam de nenhum antidepressivo; digo-lhes que elas precisam de um amante!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho. Há as que pensam: "como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!" há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.
Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: amante é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso amante é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.
Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto...
Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando".
E o que é "ir levando"? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.
Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista... Da sua vida...
Acredite: o trágico não é morrer; afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém.
O trágico é desistir de viver; por isso, e sem mais delongas, procure um amante...
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:
Tradução do original "Hay que buscarse un Amante"www.bucay.com
Engraçado como a "terapia" sugerida pelo Dr. Jorge Bucay, foi a mesma que eu busquei para mim em 2004, quando depois de "trocentos" problemas pessoais, eu acabei entrando em uma crise depressiva das brabas. Fechei-me como um caramujo (mais do que já sou fechada), chorava sem motivo aparente, não tinha apetite, não tinha vontade de fazer nada, não dormia, vivia irritada, não ria, tinha dores de cabeça que nunca passavam, cada dia aparecia uma dor em algum lugar do corpo.
Após alguns exames, fui encaminhada a uma Neurologista que me receitou alguns calmantes e antidepressivos e também me encaminhou para um psicólogo. Ainda no consultório da Neurologista, eu disse a ela que não prescrevesse medicamentos e terapias, porque seria perda de tempo, pois eu não iria tomar as tais drogas e nem iria à terapeuta algum. Ela insistiu e disse que eu tinha que seguir suas "recomendações", pois eu estava "a ponto de ser internada" (nesta época a Bel e a Dodora, diziam que eu parecia um zumbi). Eu mantive a minha posição e disse a ela que se meu problema era depressão e stress, que eu sabia exatamente do que eu estava precisando. Eu disse a Neurologista, que eu precisava respirar, que eu precisava parar de me preocupar com terceiros e pensar em mim, que eu precisava fazer coisas que eu gostava e estar com quem eu gostava. Que eu precisava produzir e "colocar pra fora" tudo que eu tinha vontade de dizer e fazer.
Bom... Depois daquele dia eu nunca mais voltei ao consultório da Neurologista, mas criei meus Blogs, voltei a escrever, desenhar, estudar, trabalhar, decidi que estava na hora de sair do CDH, voltei a caminhar a esmo que me faz tão bem, acabei com aquilo que diziam ser "um relacionamento de quase 20 anos", voltei a ouvir as músicas que gosto e não as que o modismo impõe, deixei de ter medo de perder a pessoa que amo e troquei este medo, por confiança.
Enfim, algum tempo depois eu me sentia viva novamente e sem precisar me drogar ou de longas terapias.
Dragão, como eu havia dito na lista, o texto do Dr. Jorge Bucay e o meu comentário sobre o mesmo, estão aí.
Bjs

















