Silvana por Silvana

23.6.09

Dá um abraço?


Ontem foi meu niver, para mim um dia normal, mas para as pessoas que pensam com os parâmetros normais da sociedade, o dia em que uma pessoa nasceu é especial.
Recebi vários telefonemas, cartões virtuais, mensagens de carinho, de afeto e reconhecimento. Devo confessar que mesmo não considerando datas de aniversário como um dia especial, mas é muito bom ser lembrado, faz bem ao ego, principalmente naqueles dias que não se está muito bem.

Estas mensagens por mais simples que foram, me emocionaram... Apesar de normalmente não transparecer, sou muito sensível e emotiva e com isso acabei passando o dia numa espécie de “céu e inferno”, recordando os bons e maus momentos com aquelas pessoas e o porque do carinho delas comigo. Pois é, entrei em crise comigo mesma, por pura comoção... Eh! Dessa vez vocês conseguiram mexer comigo... Acabei descarregando no Giu... Mas está tudo bem agora...

Hoje pela manhã, recebi uma mensagem de um aparente desconhecido no Netlog. Este postou como mensagem de aniversário parte da poesia “Dá um abraço? - de Macedo Junior”.

Caspita!!! Que mensagem linda... e certeira... Não pude deixar de buscá-la e postá-la aqui na integra.

Ao suposto desconhecido e a todos que sempre me têm guardada em um cantinho do coração, obrigado por tudo.

Paz e Luz

Segue a poesia...


Duas crianças singelamente se abraçando



Dá um abraço?

De repente deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade...
de amizade... sei lá...

Talvez um aconchego amigo e meigo,
que enfatize a vida e amenize as dores...
Que fale sobre os amores,
seja afetuoso e ao mesmo tempo forte.

Deu vontade, de poder ter saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo
e preencha todo espaço...
Mas que faça lembrar do carinho,
que surge, devagarinho,
da magia da união dos corpos,
das auras... sei lá.

Lembrar do calor das mãos,
acariciando as costas a dizer: Estou aqui!

Lembrar do enlaçar dos braços,
envolventes e seguros,
afirmando: Estou com você!

Lembrar da transfusão de forças,
ou até da suavidade do momento... sei lá...

Então, pensei em como chamar esse abraço:
abraço poesia, abraço força,abraço união,
abraço suavidade, abraço consolo e compreensão,
abraço segurança e justiça, abraço verdade,
abraço cumplicidade?

Mas o que importa é a magia deste abraço!
A fusão de energias, que harmoniza,
integra o todo e se traduz no cosmos,
no tempo e no espaço...

Só sei que agora deu vontade desse abraço.
Um abraço que desate os nós,
transformando-os em envolventes laços.

Que sirva de colo,
afastando toda e qualquer angústia.
Que desperte a lágrima de alegria,
e acalme o coração...

Um abraço que traduza a amizade,
o amor e a emoção....

E para um abraço assim ,
Só consegui pensar em você!
Nessa sua energia,
nessa sua sensibilidade,
que sabe entender o por quê,
dessa minha vontade.

Pois então...
Dá logo este abraço!

Macedo Junior
www.trovadorpr.com

Image hosted by Conectecom.net

15.5.09

Conversando sobre provas e lições da vida

 Foto Carlos Lema, do espetáculo - Deixando a crisálida (




Muitas vezes, a prova de alguém não está em enfrentar grandes obstáculos. Pelo contrário, é nas coisas pequenas que grandes testes são realizados. É na média das ações e suas reações correspondentes, que se revela o jeito. As provas de paciência são cruciais e aquelas de perdão, então, nem se fala...

É na senda diária que se prova o desenvolvimento consciencial, nas lides da vida. É no trato com o mundo que surgem os conflitos, e o aprendizado da sabedoria. Realizar-se em meios espirituais é uma coisa; manter o alto nível no mundo é outra.

Competir com os outros pode ser estimulante para alguns; mas, quem ganha o que? Vencer a si mesmo é o grande lance! E rir de si mesmo, depois, é muito bom. O verdadeiro templo é o próprio coração do homem. É onde ele encontra a si mesmo. Harmonizado consigo mesmo, ele deixa de bravatas e recolhe o orgulho, rindo mais... Porém, muitas vezes, o homem chora antes disso... E lava seu espírito!

No cadinho da dor e da provação, surgem grandes transformações; e ele evolve... A roda da vida não pára.
Mas, como o homem reage às suas circunvoluções vitais?
Quando a dor surge, quem continua cantando?
E quem confia no próprio espírito?
Diante do ceticismo do mundo, quem continua firme em sua jornada de luz?
Nas alamedas do cemitério, quem é capaz de rir, ao lembrar-se que a vida segue?...
Rastejando pelo mundo, como a lagarta, quem pensa em si mesmo como borboleta?

Ah, as provas acontecem em todo lugar: dentro e fora de cada um; aqui e além e o importante não é o que acontece, mas o que se faz com o que acontece.

Espiritualidade é consciência. É atitude. É equilíbrio. Não é ter; é SER!

Quem tira lição de tudo, sabe: lamentar-se de nada adianta; vale mais compreender e quem compreende sempre se renova. Nasce e morre em si mesmo, sempre. As grandes lições estão nas pequenas coisas; paciência e perdão são grandezas. Mestre é quem vence a si mesmo. É quem ainda ri como criança...

A lagarta se tornará borboleta, assim como, um dia, o ignorante será um sábio e só o Grande Arquiteto Do Universo é que sabe o tempo certo de cada coisa.

A vida não pára... E há tanto para aprender; dentro e fora, aqui e além...

P.S.:
Esse mundo precisa de mais música legal.
Precisa de gente com fé e generosidade na jornada.
Precisa de gente corajosa, que se atreva a ser feliz.
Precisa de gente que ria mais, inclusive de si mesma.
Precisa de gente que valorize um grande amor.
Precisa de gente disposta a vencer a si mesma.
Precisa de gente capaz de perdoar, aos outros, e a si mesma.
Precisa de gente que se atreva a carregar o sol na cara.
Precisa de gente que agradeça ao Todo, só por existir...
Sim, gente boa, dentro e fora, aqui e além...

Paz e Luz.



Wagner Borges
IPPB – Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas

Image hosted by Conectecom.net

7.9.08

Lobos

Face lobo em ataque



– Mestre, preciso de sua ajuda. Eu não sei mais o que fazer.
– O que lhe parece ser o problema? Perguntou o sábio.
– Estou tendo muita dificuldade em controlar minha raiva, disse o visitante. É o jeito que as pessoas são. Eu as vejo criticando os outros enquanto estão totalmente cegos para seus próprios defeitos. Eu não quero criticá-los para não ser como eles, mas isto realmente me irrita.
– Eu compreendo, disse o sábio. Mas diga-me uma coisa primeiro. Não foi você que escapou por pouco da morte no ano passado?
– Sim, confirmou o visitante. Foi uma experiência terrível. Eu me aventurei muito longe na floresta, e fui cercado por um bando de lobos esfomeados.
– E o que você fez?
– Eu subi numa árvore quando eles estavam correndo em minha direção. Eram lobos grandes, e eu não tenho nenhuma dúvida de que me poderiam me fazer em pedaços.
– Então, você ficou preso?
– Sim. Eu sabia que não poderia ficar lá por muito tempo, sem água e sem comida, e ficava esperando que eles diminuíssem sua atenção. Quando percebia que seria seguro, eu pulava até o chão e corria como um louco até a próxima árvore, e subia de novo.
– Parece que foi uma provação muito difícil.
– Sim, durou dois dias. Eu pensei que fosse morrer. Por sorte, um grupo de caçadores se aproximou depois que eu cheguei um pouco mais perto da vila. Os lobos se espalharam e eu me salvei.
– Estou curioso sobre uma coisa, disse o sábio. Durante sua experiência, você se sentiu ofendido pelos lobos?
– Como? Ofendido?
– Sim. Você se sentiu ofendido ou insultado pelos lobos?
– Claro que não, Mestre. Este pensamento nunca me passou pela cabeça.
– Como não? Eles queriam morde-lo, não queriam? Eles queriam matá-lo, não queriam?
– Sim, mas... Isto é o que os lobos fazem! Eles estavam sendo conforme sua natureza. Seria um absurdo que eu encarasse isso como uma ofensa.
– Ótimo! Agora vamos conservar este pensamento enquanto examinamos sua pergunta. Criticar os outros enquanto permanecem cegos para os próprios defeitos é uma coisa que muitas pessoas fazem. Pode-se até dizer que é uma coisa que todos nos fazemos de vez em quando. De certa forma, é um lobo voraz que vive em cada um de nós.
Quando os lobos mostram suas presas e o ameaçam não se deve ficar parado. Você certamente deve proteger-se fugindo deles tanto quanto possível. Da mesma forma, quando as pessoas o perturbarem com críticas maldosas, você não deve aceitar isso passivamente. Você deve proteger-se, distanciando-se o quanto possível.
O aspecto crucial é que isto deve ser feito sem que se sinta ofendido ou insultado, por que essas pessoas estão apenas sendo elas mesmas. É da natureza delas serem críticas e cheia de julgamentos, de modo que seria um absurdo ficarmos ofendidos, e seria inútil ficarmos bravos.
A próxima vez que os lobos esfomeados na pele de homens correrem atrás de você, lembre-se: é o jeito que as pessoas são - exatamente como você disse assim que chegou.

Por Derek Lin
Histórias Taoístas
www.taoism.net

Image hosted by Conectecom.net

20.4.08

Ser Humano

Pés descalços em calçamento de pedra portuguesa. Por: José Eduardo Barros - Série Miséria invisível


Ser humano...
Ser sem vida que só tem fome.
Que ser humano?
Vida desumana seguida pela foice.

Menino que chora...
Chora pela luta que não tem.
Chora pela vida que não tem.
Enquanto o Rei Gordo,
Sacia sua fome no castelo de cristal.

Onde está o humano?
Que humano...
Maldito humano...
Rei Gordo fedido!
Você é humano?

Humano de carapaça curta e suja
Que nunca é justo a não ser com ele mesmo.
E o poder do Rei Gordo fedido
Que sabota o pouco que ainda tem de bom.

Cadê o sorriso do menino?
Está só no papel ou perdido no carvão?
Rei Gordo que lava suas falsas feridas com óleo de oliva,
Enquanto o menino lambe sua própria carne...
Rei gordo maldito...
Humano... Que humano?

Silvana G Melo


Postado originalmente em 11 de abril de 2006,
no blog Night Eyes, como comentário
no post E eis a Inclusão Social...

Foto: José Eduardo Barros - Série Miséria invisível

Image hosted by Conectecom.net

23.3.08

Soneto do corifeu

nú feminino. Mulher deitada ao solo, pernas flexionadas, abraçando a si mesma, iluminação em foco superior, foto em tons de cinza.


São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.
Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua

- Vinicius de Moraes -

Image hosted by Conectecom.net

18.9.07

Existem almas gêmeas?

Mulher ajoelhada na beira de uma praia olhando para o céu. Sol e nuvens criando o efeito de uma forma humana masculina saindo das nuvens, subindo ao céu.

De acordo com a Kabbalah, sim. Antes de virem para este planeta, os aspectos femininos e masculinos da alma eram unidos. Quando vieram para este mundo, e não vieram necessariamente ao mesmo tempo, o masculino e o feminino se separaram, criando assim o conceito de almas gêmeas, que são almas que se complementam totalmente.

O casamento entre almas gêmeas é muito raro, e podemos dizer que atualmente, 90% dos casamentos são processos de correção. Antes de se reunir a sua alma gêmea, é necessário que cada pessoa encontre o seu caminho espiritual, seja ele qual for, e trabalhe para o seu crescimento individual. Só então é que terá o mérito de encontrar sua alma gêmea, para reunir-se a ela e continuarem juntos o seu trabalho espiritual. Por esse motivo são necessários os casamentos entre pessoas que não são almas gêmeas, e são muitos os aspectos pelos quais os parceiros podem ser necessários um ao outro, até que chegue o momento apropriado para a reunião com a alma gêmea. Podemos até ter um bom casamento, termos bons filhos, sermos felizes nesse relacionamento, sem significar que este seja o encontro com nossa alma gêmea. Pode se passar muitas vidas sem que se encontre a alma gêmea, até que o homem e a mulher alcancem o nível de consciência espiritual para se reconhecerem, e no momento propício, o encontro acontecerá.

Em geral, almas gêmeas são pessoas bastante diferentes, com criação e educação distintas, e dificilmente são pessoas que se conhecem desde pequenas. Normalmente, são pessoas que viveram por tempos distantes uma da outra, ou até próximas, mas sem se conhecerem até o momento do encontro. Geralmente são aqueles relacionamentos que parecem impossíveis de dar certo, e muitas vezes o casal enfrenta muitas dificuldades para poderem ficar juntos. Mas apesar das diferenças, gostos e necessidades individuais, existem grandes semelhanças e afinidades em termos de ideologias e objetivos de vida. Há entre eles uma habilidade quase telepática, o que é a pista mais evidente de que se trata de almas gêmeas.

Entretanto, um casamento entre almas gêmeas não significa que seja perfeito, que não haja discussões e problemas a serem enfrentados. Tudo faz parte do processo de crescimento individual ou do casal. Quando se encontra a alma - gêmea sem ainda ter completado o tikun (correção), o relacionamento ainda não é perfeito. Mas uma parte de nosso tikun (correção) só pode ser realizada junto com a nossa alma gêmea. Essa é a razão pela qual existe o divórcio no judaísmo. Se uma pessoa casada encontrasse sua alma gêmea e não existisse o divórcio, seu parceiro teria que morrer para que ela pudesse se reunir a sua alma - gêmea, já que esse encontro é muito forte e tem que acontecer de qualquer jeito. Mais do que a plenitude do casal , o encontro das almas - gêmeas ocorre por uma causa maior, em benefício do universo, por isso esse encontro é tão necessário e poderoso.

Rabino Joseph Saltoun

Image hosted by Conectecom.net

26.7.07

Oração a mim mesmo

Ponte de madeira, sobre um rio , dando acesso a uma mata fechada.


Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos.
Chorar menos.

Ver nos olhos de quem me vê, a admiração que eles me têm e não a inveja, que prepotentemente, penso que têm.

Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática, as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras.

Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.

Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhos.

Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis;
Aqueles que morrem e ressuscitam
a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.

Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar,
sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.

Que eu me permita o silêncio das formas, dos movimentos, do impossível, da imensidão de toda profundeza.

Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras, pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde).

Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma, vislumbrar as curvas, desenhar as retas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida.

Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante.

Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam minhas dúvidas.

Que eu saiba perder meus caminhos mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.

Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo:
- Que eu não tenha medo de meus medos!

Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis e desperte com o coração cheio de esperanças.

Que eu faça de mim um homem sereno dentro de minha própria turbulência, sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos, humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas (que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas e o quanto é valiosa minha pequenez).

Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso, ser órfão.

Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei, traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências;

Respeitar incondicionalmente o ser;

O ser por si só, por mais nada que possa ter além de sua essência, auxiliar a solidão de quem chegou, render-me ao motivo de quem partiu e aceitar a saudade de quem ficou.

Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado, fazer gentilezas quando recebo carinhos;
Fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas.

Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só.

Oswaldo Antonio Begiato


Paz e Luz "Donana"
Bjs

Image hosted by Conectecom.net